. Vers. 14–17: “E disse DEUS: Haja luminares na expansão dos céus, para separar entre o dia e entre a noite. E serão para sinais, e para tempos determinados e para dias e anos. E serão por luminares na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra. E assim se fez. E fez DEUS dois luminares grandes: o luminar grande para dominar no dia, e o luminar menor para dominar na noite, e as estrelas. E os pôs DEUS na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra.” Não se pode compreender bem o que são os ‘luminares grandes’ se não se sabe primeiro qual é a essência da fé e, então, qual é a sua progressão nos que são criados de novo. A essência mesma e a vida da fé é o Senhor, só, pois aquele que não crê no Senhor não pode ter a vida, como Ele mesmo disse em João: “Quem crê no Filho tem a vida eterna, quem, porém, não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanecerá sobre ele” (3:36). [2] A progressão da fé nos que são criados de novo dá-se assim: primeiro não há neles vida alguma, pois a vida não está no mal e falso, mas sim no bem e vero. Depois eles recebem do Senhor a vida pela fé; primeiro, pela fé da memória, que é a fé do conhecimento; depois, pela fé do entendimento, que é a fé intelectual; finalmente, pela fé do coração, que é a fé do amor, ou salvífica. A fé do conhecimento e intelectual foi representada pelas coisas inanimadas desde o vers. 3 até o 13. A fé vivificada pelo amor é representada pelas coisas animadas desde o vers. 20 até o 25. Por isso, agora se trata, aqui, pela primeira vez, do amor e da fé que vem do amor, que são chamados ‘luminares’. O amor é o ‘luminar grande’ que domina de dia, e a fé que vem do amor é o ‘luminar menor’ que domina de noite; esses, porque fazem um, se diz deles no singular ‘haja’ [sit], e não ‘existam’ [sint] luminares1. [3] O amor e a fé se encontram no homem interno como o calor e a luz no externo corpóreo, razão pela qual aqueles são representados por estes; por isso foi dito que os luminares foram postos na expansão dos céus; ou, no homem interno, o luminar grande em sua vontade e o menor em seu entendimento. Mas aparecem na vontade e no entendimento somente como a luz do sol nos objetos. É só a misericórdia do Senhor que, pelo amor, toca a vontade e, pela verdade, ou fé, o entendimento.