Texto
. O amor e a fé são chamados, a princípio, os ‘luminares grandes’; depois, o amor o ‘luminar grande’ e a fé o ‘luminar menor’; e se diz do amor que ele ‘dominará no dia’ e, da fé, que ela ‘dominará na noite’. Como estas coisas são arcanos e estão ocultas, sobretudo neste fim dos dias, é permitido, pela Divina Misericórdia do Senhor, revelar como elas são. Se estão ocultas, sobretudo neste fim dos dias, a causa é, porque agora é a consumação do século, e o amor é quase nulo e, por conseguinte, não há fé, como o próprio Senhor predisse nos Evangelistas, nestas palavras:
“O sol se escurecerá, e a lua não dará luz, e as estrelas cairão do céu, e as virtudes do céu serão abaladas” (Mt. 29:25).
Pelo ‘sol’ entende-se aqui o amor que será ‘escurecido’; pela ‘lua’ a fé que não dá luz; pelas ‘estrelas’, as cognições da fé que caem do céu, as quais são as ‘virtudes e os poderes dos céus’. A Antiquíssima Igreja não reconheceu outra fé senão o amor mesmo. Os anjos celestes também não reconhecem outra fé exceto a que é do amor; o céu universal é do amor, pois nos céus não existe outra vida exceto a vida do amor. Daí vem toda felicidade, que é tanta, que nenhuma coisa dela pode ser descrita nem pode de modo algum ser compreendida por alguma ideia humana. Os que estão no amor amam o Senhor de coração, mas sabem, dizem e percebem que todo amor, assim toda vida que é do amor, só, e assim toda felicidade, venha unicamente do Senhor; e que, por si próprios, eles não têm nada do amor, da vida e da felicidade. Que o Senhor seja Aquele de Quem procede todo amor, isso foi também representado pelo ‘grande luminar’, ou o sol, quando Ele foi transfigurado, pois:
“Sua face resplandeceu como o sol e as vestes tornaram-se como a luz” (Mt. 17:2).
Pela ‘face’ são significados os íntimos, e pelas ‘vestes’ as coisas que procedem dos íntimos; assim, pelo ‘sol’, o Divino do Senhor ou o amor, e pela ‘luz’ o Seu Humano ou a sabedoria que procede do amor.