. Qualquer um pode saber muito bem que não existe jamais a vida sem algum amor, e que não existe jamais a alegria exceto aquela que procede do amor; de fato, tal é o amor, tal é a vida e tal é a alegria. Se removesses os amores, ou, o que é o mesmo, as cobiças — porque elas são do amor — cessaria logo o pensamento e serias como morto. Isto me foi mostrado por experiência viva. Os amores de si e do mundo apresentam certa semelhança com a vida e certa semelhança com a alegria, mas porque são inteiramente contrários ao verdadeiro amor, o qual é que se deve amar o Senhor acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, pode-se ver que eles são, não amores, mas ódios. Pois quanto mais alguém ama a si mesmo e ao mundo, mais odeia o próximo e assim o Senhor. Por isso, o verdadeiro amor é o amor ao Senhor, a verdadeira vida é a vida do amor que vem do Senhor, e a verdadeira alegria é a alegria desta vida. Só pode haver um único Amor verdadeiro; por conseguinte, só pode haver uma única vida verdadeira, de onde procedem as verdadeiras alegrias e as verdadeiras felicidades, como as dos anjos nos céus.