Texto
. Vers. 20: “E disse DEUS: Façam as águas rastejar o réptil, a alma vivente. E a ave voe sobre a terra, sobre as faces da expansão dos céus.” Depois que os grandes luminares foram acesos e postos no homem interno, e daí o externo recebeu luz, então o homem começa pela primeira vez a viver. Antes, mal se pode dizer que vivesse, pois o bem que ele fez, pensou que o fizera por si mesmo; e o vero que falou, que de si mesmo o dissera. E, como o homem é morto em si e nele nada há senão o mal e o falso, por isso, tudo o que ele produz por si mesmo não é vivo, a ponto de não poder, por si mesmo, fazer o bem que em si é o bem. Que o homem por si mesmo não possa sequer pensar no bem, nem querer o bem e, por consequência, não possa fazer o bem, a não ser que seja pelo Senhor, qualquer um vê pela doutrina da fé, pois o Senhor diz em Mateus:
“Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem” (13:37).
O bem não pode vir senão da Fonte mesma, que é única, como também diz:
“Ninguém é bom, exceto um, Deus” (Lc. 18:19).
Contudo, sempre que o Senhor ressuscita o homem à vida, ou o regenera, permite, a princípio, que ele pense assim, pois então o homem não pode compreender de outro modo, nem pode de outro modo ser conduzido a crer e, daí, a perceber, que todo bem e todo vero vêm do Senhor, só. Enquanto pensou assim, seus veros e bens foram comparados à ‘erva tenra’, depois à ‘erva dando semente’ e em seguida à ‘árvore de fruto’, coisas que são inanimadas. Mas agora, quando é vivificado pelo amor e pela fé e crê que é o Senhor Quem opera nele todo bem que faz e todo vero que diz, então é comparado primeiro aos ‘répteis das águas’ e às ‘aves que voam sobre a terra’, e depois às bestas, que são, todas, coisas animadas e chamadas ‘almas viventes’.