Texto
. Quanto ao gênero, há quatro estilos na Palavra: O PRIMEIRO, o que foi da Igreja Antiquíssima. O modo de eles se expressarem era tal que, quando nomeavam coisas terrestres e mundanas, pensavam sobre as coisas espirituais e celestes que elas representavam. Por isso, não só se exprimiam por meio de representativos, mas também os compunham em uma espécie de série histórica, por assim dizer, para lhes dar mais vida9, o que lhes era muito deleitável. É este estilo que foi entendido quando Ana profetizou, dizendo:
“Falai o que é alto, alto; saia o que é antigo de vossa boca” (1Sm. 2:3).
Esses representativos se chamam, em Davi, “enigmas da antiguidade” (Sl. 78:2-4). É dos pósteros da Antiquíssima Igreja que Moisés obteve os relatos da Criação, desde o Jardim do Éden até os tempos de Abrão.
[2] O SEGUNDO estilo é o histórico, que está nos livros de Moisés – desde os tempos de Abram e depois – e em Josué, Juízes, Samuel e Reis, nos quais os relatos históricos são absolutamente tais como estabelecidos no sentido da letra, não obstante todas e cada uma das coisas conterem coisas inteiramente diferentes no sentido interno, do que se tratará em sua ordem na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor.
[3] O TERCEIRO [estilo] é o profético, que nasceu do estilo da Antiquíssima Igreja, o qual eles muito veneravam. Mas este não é contínuo nem está em aparência histórica como o dos antiquíssimos, mas é disperso, quase nunca inteligível exceto no sentido interno, onde profundos arcanos se acham dispostos seguindo uma ordem conexa e se referem ao homem externo e interno, aos vários estados da igreja, ao céu mesmo e, nos íntimos, ao Senhor.
[4] O QUARTO [estilo] é o dos Salmos de Davi, que é intermediário aos proféticos e à linguagem comum. Ali, sob a pessoa de Davi como rei, trata-se, no sentido interno, do Senhor.
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