. Quais são os indivíduos que mais creem ter os olhos abertos e saber, como Deus, o que é o bem e o mal, senão os que amam a si próprios e são ao mesmo tempo versados nas coisas do mundo? Mas quem é mais cego? Basta apenas consultá-los para que se veja que não sabem e que ainda menos creem que existe o espírito. Ignoram inteiramente o que é a vida espiritual e celeste, nem reconhecem a vida eterna, pois creem que morrerão como os animais. Não reconhecem de modo algum o Senhor, mas veneram somente a si próprios e a natureza. Os que querem falar prudentemente dizem que algum Ente supremo, que eles não sabem quem é, governa todas as coisas. [2] São esses os seus princípios, que eles confirmam entre si de muitos modos pelas coisas sensuais e dos conhecimentos. Se ousassem, eles o fariam mesmo perante o universo. Esses, posto que queiram ser reconhecidos como deuses ou como os mais sábios, se fossem indagados se sabem o que é não-proprium, responderiam que é o não-ser, e que nada seriam se fossem privados do proprium. Se fossem indagados o que é viver pelo Senhor, pensariam que é uma coisa fantasiosa. Se fossem interrogados se sabem o que é a consciência, diriam que nada mais é que alguma coisa imaginária, que pode servir para manter o povo em vínculos. Se fossem interrogados se sabem o que é a percepção, não fariam outra coisa senão zombar, e a chamariam de alguma coisa de entusiástica. Assim é a sabedoria deles; assim têm “olhos abertos” e assim são “deuses”. Partem de tais princípios, que eles julgam ser mais claros que o dia, e por eles avançam e raciocinam sobre os mistérios da fé. Que resulta daí senão um abismo de escuridão? Esses, mais do que os outros, são as serpentes que seduzem o mundo. Contudo essa descendência da Antiquíssima Igreja ainda não era assim. A posteridade que se tornou tal é tratada nos versículos 14 e 19 deste capítulo.