. Que ‘conhecer que estavam nus’ signifique que conheceram e reconheceram que não estavam mais na inocência como antes, mas no mal, vê-se pelo último versículo do capítulo precedente, onde se disse: “E estiveram ambos nus, o homem e a esposa dele, e não [se] envergonharam”. Daí se vê que ‘não se envergonhar por estarem nus’ significa que estavam inocentes. O contrário é significado quando se envergonham, como aqui, por ‘terem costurado folhas de figueira e terem se ocultado’. Com efeito, sem a inocência a nudez se torna opróbrio e escândalo, porque são conscientes de si mesmos, que pensam o mal. Daí vem que a nudez é tomada pelo opróbrio e pelo mal na Palavra, e atribuída à igreja pervertida, como em Ezequiel: “Que estaria nua e descoberta, e pisoteada no seu sangue” (16:7, 22); no mesmo: “Deixam-na nua e descoberta, e [que] seja revelada a nudez” (23:29); em João: “Aconselho-te que compres... vestimenta branca, para que te vistas, e não seja manifestada a vergonha de tua nudez” (Ap. 3:18); e sobre o último dia: “Bem-aventurado o que vigia, e guarda a sua vestimenta para que não ande nu e não se veja a sua vergonha” (Ap. 16:15); no Deuteronômio: “Se o varão achar na esposa uma nudez qualquer, escreva-lhe carta de repúdio” (24:1); também por isso foi mandado a Aharão e a seus filhos “que tivessem calções de linho quando subissem ao altar e para ministrarem, a fim de cobrirem a carne da nudez, para que não levassem iniquidade e morressem” (Êx. 28:42, 43).