. Explorar os mistérios da fé por meio dos conhecimentos é tão impossível quanto a um camelo entrar pelo furo de uma agulha. E tão impossível quanto a uma costela governar as fibrilas mais puras do peito e do coração. O sensual e os conhecimentos são, relativamente, tão grosseiros e ainda mais grosseiros em relação ao espiritual e celeste. Quem quiser investigar apenas as coisas escondidas da natureza, que são inúmeras, mal desvenda uma; e, como se sabe, cai em falsidades enquanto investiga. O que será, então, se quiser examinar as coisas ocultas da vida espiritual e celeste, onde há dezenas de milhares para cada uma das que estão invisíveis na natureza? [2] Como ilustração, seja apenas este exemplo: O homem não pode de si mesmo fazer outras coisas senão o mal e o falso e se desviar do Senhor. Todavia, não é o homem que o faz, mas os maus espíritos que estão com ele; e nem os maus espíritos, mas o mal mesmo de que se apropriaram; e, sempre, é o homem que faz o mal e se desvia, e é sua culpa; e, todavia, não vive a não ser pelo Senhor. Por outro lado, o homem nunca pode de si mesmo praticar o bem e se converter ao Senhor, mas o faz pelos anjos; nem os anjos o podem, mas fazem-no somente pelo Senhor; e, sempre, o homem pode como de si mesmo fazer o bem e se converter ao Senhor. Que a coisa se passe assim, nunca os sentidos, os conhecimentos e a filosofia poderão compreender; se são consultados, eles as negam absolutamente, quando, todavia, são em si mesmas coisas verdadeiras. Semelhantemente ocorre em todas as outras coisas. [3] Por aí se pode ver que aqueles que consultam as coisas do sentido e dos conhecimentos sobre o que devem crer precipitam-se não só em dúvidas, mas também na negação, isto é, na escuridão. E quando estão na escuridão estão também em todas as cobiças, pois quando creem o falso, também fazem o que é falso; e quando creem que não existe o espiritual e celeste, creem que existe somente o corpóreo e mundano. Assim, amam tudo o que pertence a si mesmos e ao mundo, e daí é que do falso se originam as cobiças e os males. * * * * * * *