. Que ‘comer do húmus em grande dor’ signifique um estado miserável de vida, vê-se pelas coisas que precederam e pelas que se seguem, além do que ‘comer’, no sentido interno, é viver. E depois pelo fato de que uma tal vida é consequência de os maus espíritos começarem a lutar e os anjos que estão no homem começarem a se esforçar. E ainda mais depois, quando os maus espíritos começam a dominar. Os maus espíritos então governam o seu homem externo e os anjos o interno, do qual resta tão pouco, que os anjos mal podem dali tomar alguma coisa com que defendê-lo; daí a miséria e a ansiedade. Os homens mortos raramente sentem tal miséria e ansiedade, porque não são mais homens, ainda que se achem homens mais do que os outros, pois eles não sabem mais do que os brutos o que é o espiritual e celeste e o que é a vida eterna; semelhantemente, eles olham para baixo, para as coisas terrestres, ou então para trás, para as mundanas. Eles somente favorecem o proprium e entregam-se às inclinações naturais [genio] e aos sentidos, com inteiro consentimento do racional. E como são mortos, não sustentariam luta alguma ou tentação. Se lhes acontecesse alguma tentação, seria tão mais grave que não poderiam sobreviver, e assim se amaldiçoariam ainda mais e se precipitariam em condenação infernal ainda mais profunda. Por isso eles são poupados até que tenham passado à outra vida, onde não podem mais morrer por tentação ou por miséria alguma. Então sustentam gravíssimas tentações que são semelhantemente significadas por estas palavras: “maldito o húmus; em grande dor comerás dele”.