Texto
. O homem adquire vida para si por meio de todas as coisas de que se persuade, isto é, as coisas que ele reconhece e crê. Aquelas de que ele não se persuade, ou as que ele não reconhece nem crê, estas em nada afetam a sua mente. Por isso, ninguém pode profanar as coisas santas se não se persuadiu a ponto de reconhece-las e ainda negá-las. Os que não reconhecem podem saber, mas são como se não soubessem, e são mesmo como aqueles que sabem coisas que não são nada. Assim eram os judeus na época do Advento do Senhor. E quando as pessoas são tais, são referidas na Palavra como ‘devastadas’ ou que a fé não mais existe. Então não faz mal que os interiores da Palavra lhes sejam abertos, pois então são como videntes que não veem, e como ouvintes que não ouvem, e que têm o coração engrossado, dos quais o Senhor fala por Isaías:
“Vai, e dize a este povo: Ouvindo, ouvis, mas não entendeis, e vendo, vedes, e não conheceis. Engorda o coração deste povo, e agrava-lhe os ouvidos, cobre-lhe os olhos, para que talvez não veja com os seus olhos, e ouça com os seus ouvidos, e entenda com o seu coração, e se converta, para que se cure” (6:9, 10).
E que os mistérios da fé não são abertos antes de eles serem tais, a saber, quando estão devastados a ponto de não crerem mais, a fim de que, como foi dito, não possam profanar, isto também o Senhor disse claramente em Isaías logo em seguida:
“Eu disse: Até quando, Senhor? E disse: Até que sejam desoladas as cidades para não haver habitante, e as casas, para não haver homem, e o húmus seja desolado em desolação; e JEHOVAH tenha removido o homem" (Ibid., vers. 11, 12).
‘Homem’ refere-se ao que sabe, ou que reconhece e crê. Tais eram os judeus, como foi dito, na época do Advento do Senhor, e pela mesma razão eles ainda são mantidos em tal devastação pelas cobiças, principalmente pela avareza, para que, ainda que ouçam mil vezes sobre o Senhor e sobre os representativos da igreja neles, que significam o Senhor em cada coisa, ainda assim, nada reconheçam nem creiam. Esta, então, foi a causa pela qual os antediluvianos foram expulsos do Jardim do Éden e devastados até o ponto de não poderem reconhecer nada do vero.