. A ‘gordura’ significa o celeste mesmo, que pertence também ao Senhor. O celeste é tudo o que é do amor; a fé é também celeste quando procede do amor. A caridade é o celeste; todo bem da caridade é o celeste. Todas essas coisas foram representadas pelas gorduras nos sacrifícios, e mesmo, de um modo especial, pela gordura que está sobre o fígado ou o retículo, pela gordura sobre os rins, pela gordura que cobre os intestinos e pela que está sobre os intestinos. Essas gorduras eram santas e eram queimadas sobre o altar (Êx. 29:13, 22; Lv. 3:3, 4, 14; 4: 8, 9, 19, 26, 31, 35; 8:16, 25); por isso eram chamadas ‘pão [de oferta] por fogo em repouso a JEHOVAH’ (Lv. 3:15, 16). E por esta razão era proibido ao povo judaico comer gorduras de animais, o que se chamou ‘estatutos de eternidade nas gerações’ (Lv. 3:17; 7:23, 25). A causa é que aquela igreja era tal que não reconhecia as coisas internas, e ainda menos as celestes. [2] Que a ‘gordura’ signifique as coisas celestes e os bens da caridade, vê-se nos Profetas, como em Isaías: “Por que pesais a prata para o que não é pão, e vosso trabalho para o que não sacia? Ouvi-Me atentamente20, e comei do bom, para que se deleite com a gordura vossa alma” (55:2); em Jeremias: “Encherei a alma dos sacerdotes de gordura, e Meu povo se fartará dos Meus bens” (31:14). Vê-se claramente que aí não se entende a gordura, mas o bem celeste-espiritual. Em Davi: “Estão cheios da gordura de Tua casa, e na torrente de Tuas delícias os sacias, porque contigo está o manancial de vidas; na Tua luz vemos a luz” (Salmo 36:8, 9), onde ‘gordura’ e ‘manancial de vidas’ é o celeste, que é do amor; ‘torrente das delícias e luz’ é o espiritual, que é da fé daí proveniente. No mesmo: “De tutano e de gordura se fartará a minha alma, e com lábios de cânticos minha boca louvará” (Salmo 63:5), onde ‘gordura’, semelhantemente, é o celeste, ‘lábios de cânticos’ o espiritual. Vê-se claramente que é o celeste, porque se diz que a “alma se fartará”. As mesmas primícias, que eram os primogênitos da terra, eram por isso chamadas ‘gordura’ (Nm. 18:12). Como as coisas celestes existem em gêneros inumeráveis e em ainda mais inumeráveis espécies, elas são em geral assim descritas no cântico que Moisés cantou diante do povo: “Manteiga de vacas, e leite de rebanho, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros, dos filhos de Bashan, e dos bodes, com a gordura dos rins do trigo. E o sangue de uvas beberás, o vinho puro” (Dt. 32:14). Nunca alguém pode saber o que estas coisas significam a não ser pelo sentido interno. Sem o sentido interno, ninguém pode saber o que querem dizer ‘manteiga de vacas’, ‘leite do rebanho’, ‘gordura dos cordeiros’, ‘gordura dos carneiros e dos bodes’, ‘filhos de Bashan’, ‘gordura dos rins do trigo’ e ‘sangue das uvas’. Sem o sentido interno, seriam palavras e nada mais que isso, quando, de fato, todas e cada uma das coisas significam gêneros e espécies de coisas celestes.