Texto
. Antes de se explicar o que estas coisas significam no sentido interno, cumpre saber de que modo a coisa se passa com a fé. A Igreja Antiquíssima era tal que não reconhecia fé alguma a não ser a que vem do amor, ao ponto que eles não queriam sequer nomear a fé, pois todas as coisas pertinentes à fé eles percebiam pelo amor que procede do Senhor. São assim também os anjos celestes, de que se falou anteriormente. Como, porém, foi previsto que o gênero humano não poderia permanecer em tal estado e que separariam a fé do amor procedente do Senhor, e pela fé fariam uma doutrina singular, foi também provido para que [a fé] fosse separada, mas de tal sorte que, pela fé, ou pelas cognições da fé, recebessem do Senhor a caridade, de modo que a cognição ou audição precedesse, e pela cognição ou audição o Senhor lhes desse a caridade, isto é, com o amor ao próximo e a misericórdia. Essa caridade não só seria inseparável da fé, mas também constituiria o principal da fé. Assim, em lugar da percepção que existiu na Igreja Antiquíssima, sucedeu a consciência, que, sendo adquirida pela fé adjunta à caridade, ditaria não o que é o vero, mas se algo é verdadeiro, e isto porque o Senhor falou na Palavra. Tais se tornaram as igrejas, em sua maior parte, depois do dilúvio; tal era a Igreja primitiva ou a primeira Igreja de após o Advento do Senhor. É nisto que os anjos espirituais se distinguem dos anjos celestes.