. No versículo anterior, tratou-se das coisas celestes que são do amor; neste se trata das coisas espirituais que são da fé; estas são designadas pela ‘cítara’ e pelo ‘órgão’. Os instrumentos de corda, como a cítara e outros semelhantes, significam as coisas espirituais da fé; isto se vê em muitas passagens. No culto da Igreja representativa, semelhantes instrumentos, como também os cânticos, não representavam outra coisa, donde havia tantos cantores e músicos. E, de fato, a causa disso é que todo prazer celeste produz a alegria do coração que se manifesta pelo canto e, depois, pelos instrumentos de corda que acompanhavam e exaltavam o canto. Toda afeição do coração tem também a característica de produzir o canto e consequentemente as coisas que pertencem ao canto. A afeição do coração é o celeste, o canto que daí procede é o espiritual. [2] Que o canto e o que lhe é semelhante signifique o espiritual, também tornou-se-me evidente pelos coros angélicos, que são de duplo gênero, celestes e espirituais. Os coros espirituais, por seu som canoro e ligeiro, ao qual pode ser assimilado o som dos instrumentos de corda, são bem distintos dos coros celestes, de que se tratará na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor. Os antiquíssimos referiam mesmo à província do coração o que era celeste e à província dos pulmões o que era espiritual; assim, o espiritual a tudo que pertence aos pulmões, como as vozes do canto e coisas semelhantes, e deste modo às vozes ou aos sons desses instrumentos. Isso, não só porque o coração e os pulmões representam uma espécie de casamento, como o do amor e a fé, mas também porque os anjos celestes pertencem à província do coração, e os anjos espirituais à dos pulmões. Que tais coisas se entendam aqui, pode-se saber por isto: o que seria a Palavra do Senhor, na qual não haveria vida alguma, se fosse narrado somente que Jubal era o pai dos que tocam a cítara e o órgão? Nem seria útil a alguém sabê-lo.