. Na Palavra são citados diversos instrumentos, e cada um tem a sua significação, de que se tratará em seu lugar, pela Divina Misericórdia do Senhor. Por ora se verá somente o que se diz em Davi: “Sacrificarei na tenda de JEHOVAH sacrifícios de clamor; cantarei e salmodiarei a JEHOVAH” (Sl. 27:6); onde o celeste é expresso pela ‘tenda’ e o espiritual procedente pelo ‘clamor’ e por ‘cantar e salmodiar’. No mesmo: “Justos, cantai em JEHOVAH. Aos retos fica bem o Seu louvor. Confessai JEHOVAH na cítara, sobre o saltério de dez cordas salmodiai a Ele; cantai-Lhe um cântico novo; fazei pulsar bem e com clangor, porque reta é a palavra de JEHOVAH, e toda Sua obra em verdade” (Sl. 33:1-2); tratando-se dos veros da fé, aos quais estas coisas se aplicam. [2] As coisas espirituais ou os veros e bens da fé eram celebrados com a cítara, os saltérios, o canto e coisas semelhantes; as coisas santas ou os celestes da fé, todavia, eram celebrados com os instrumentos de sopro, como as trombetas e semelhantes, razão pela qual havia tantos instrumentos ao redor do templo e tantas vezes que isto ou aquilo era celebrado por tais instrumentos. É por isso que os instrumentos estão em lugar das coisas mesmas que eles celebravam e pelas quais eram entendidos e tomados, como estas de que se está tratando. [3] Em Davi: “Confessar-Te-ei com o instrumento do saltério a Tua verdade, ó meu Deus. Eu Te salmodiarei com a cítara, ó Santo de Israel. Cantarão meus lábios, quando eu Te salmodiar, e minha alma, que redimiste” (Sl. 71:22, 23); onde semelhantemente se trata dos veros da fé. No mesmo: “Respondei a JEHOVAH em confissão; salmodiai a nosso Deus na cítara” (Sl. 147:7), onde a ‘confissão’ se refere às coisas celestes da fé — por isso é dito ‘JEHOVAH’ — e ‘salmodiar na cítara’ se refere aos espirituais da fé — por isso é dito ‘Deus’. No mesmo: “Louvai o Nome de JEHOVAH com a dança; com o tambor e a cítara a Ele salmodiai” (Sl. 149:3); [4] O ‘tambor’ está em lugar do bem e a ‘cítara’ em lugar do vero, que louvam. No mesmo: “Louvai a Deus com clangor de trombeta; louvai-O com saltério e com cítara; louvai-O com tambor e dança; louvai-O com a lira e órgão; louvai-O com címbalos sonoros; louvai-O com címbalos altissonantes” (Sl. 150:3, 5); em lugar dos bens e veros da fé, pelos quais há o louvor. Quem não crê que tantos instrumentos não seriam nomeados a não ser que significassem algo? No mesmo: “Envia a Tua luz e a Tua verdade; que elas me conduzam, me levem para o monte de Tua santidade e para Teus habitáculos. E irei ao altar de Deus, para Deus, a alegria da minha exultação, e Te confessarei com a cítara, ó Deus, meu Deus!” (Sl. 43:3,4), em lugar das cognições do bem e do vero. [5] Em Isaías: “Toma a cítara, rodeia a cidade... tange bem, intensifica o canto, para que sejas lembrado em memória” (23:16), em lugar das coisas que pertencem à fé e às cognições da fé. É ainda mais manifesto em João: “Os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um cítaras e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos” (Ap. 5:8). Qualquer um pode ver que eles não teriam cítaras, mas que as ‘cítaras’ significam os veros da fé, e as ‘taças de ouro cheias de perfumes’, os bens da fé. Em Davi chamam-se ‘louvores e confissões’ os sons que se tiravam dos instrumentos (Sl. 42:4; 69:30). E em outro lugar, em João: “Ouvi uma voz do céu, como de muitas águas; ...ouvi uma voz de citaristastangendo em suas cítaras; cantavam um cântico novo” (Ap. 14:2). E em outro lugar: “Vi os que estavam junto ao mar de vidro, tendo as cítaras de Deus” (Ap. 15:2). É de se notar que os anjos e os espíritos distinguem os sons, não só do canto e dos instrumentos, mas também os da voz, segundo as diferenças quanto ao bem e ao vero. Nada admitem desses sons a não ser as coisas que concordem, de modo que haja concordância dos sons e, assim, dos instrumentos, com a natureza e a essência do bem e do vero.