Texto
. Que ‘não mais, porque o tomou Deus’ signifique que esta doutrina foi conservada para o uso da posteridade, é porque deu-se com Enoque, como foi dito, que ele formou uma doutrina derivada do perceptivo da Igreja Antiquíssima, o que não era permitido naquele tempo, porque conhecer pela percepção é inteiramente diferente de aprender pela doutrina. Os que estão na percepção não precisam conhecer, por meio de uma doutrina formada, o que já conhecem. Seja como ilustração: quem sabe pensar bem não precisa aprender a pensar pelo artificial, donde pereceria sua faculdade de pensar bem, como se dá com aqueles que se detêm na poeira da escolástica. Os que conhecem pela percepção, a esses é dado, pelo Senhor, saber, por uma via interna, o que é o bem e o vero; mas aos que aprendem pela doutrina, por uma via externa ou dos sentidos do corpo. A diferença é como a que há entre a luz e as trevas. Acresce que as percepções do homem celeste não podem em parte alguma ser descritas, porque estão nas minudências e nas coisas mais singulares, com todas as variedades segundo os estados e as circunstâncias. Mas porque foi previsto que o perceptivo da Igreja Antiquíssima pereceria, e que depois seria aprendido pelas doutrinas o que é o vero e o bem, ou, que pelas trevas viessem à luz, por esta razão é dito aqui, que ‘Deus o tenha tomado’, isto é, que fora conservada para o uso da posteridade.