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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Conversei algumas vezes com espíritos que chegaram do mundo recentemente a respeito do estado da vida eterna. Sem dúvida, o que mais lhes interessa saber é quem é o Senhor desse reino, como é o governo e qual é a sua forma. É como, no mundo, os que chegam a um outro reino: nada lhes importa mais que saber quem é o rei e como ele é, como é o governo e muitas outras coisas concernentes a esse reino. Quanto mais no reino em que se deve viver eternamente. Foi-lhes dito que o Senhor, só, governa não apenas o céu, mas também o universo, pois quem governa um governa o outro. E que o reino em que eles agora estão é o reino do Senhor, e as leis desse reino são as verdades eternas que estão fundamentadas nesta única lei: que amem ao Senhor sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E agora ainda mais, se quiserem ser um anjo do céu, devem amar ao próximo mais do que a si mesmos.
[2] Quando ouviram essas coisas, nada puderam responder, porque na vida do corpo eles eram tais que ouviram mas não creram. Ficaram admirados de que exista um amor assim no céu, e que seja possível a quem quer que seja amar ao próximo mais do que a si mesmo, quando todavia tinham ouvido que se deveria amar ao próximo como a si mesmo. Mas eles foram informados de que todos os bens crescem indefinidamente na outra vida, e que a vida do corpo é tal que não se pode progredir além do amar ao próximo como a si mesmo, porque se está nos corporais. Mas, sendo estes removidos, todavia, o amor se torna então mais puro e, enfim, angélico, que é amar o próximo mais do que a si mesmo.
[3] Que um tal amor seja possível, pode-se ver pelo amor conjugal de algumas pessoas, que preferiram a morte a fazerem mal ao cônjuge; pelo amor dos pais para com os filhos, quando a mãe padece fome, de preferência, a ver o filho faminto; e também pelas aves e animais; bem como pela amizade sincera, quando se expõe a perigo por causa dos amigos, e ainda pela amizade civil e simulada, que quer imitar a sincera, em que se oferecem as melhores coisas àqueles que se quer bem, e se lhes promete de boca mas não de coração. Finalmente, pela natureza do amor, que é tal que sua alegria é pôr-se a serviço dos outros, não por causa de si, mas pelos outros. Aqueles que se amavam mais do que aos outros não puderam compreender este vero, e nem aqueles que na vida do corpo foram ávidos pelo lucro, e, ainda menos que todos, os avaros.

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