. Que as ‘filhas’ signifiquem as coisas que são da vontade desse homem, e daí as cobiças, vê-se pelo que foi dito e mostrado sobre os filhos e filhas, no capítulo precedente, versículo 4, onde os ‘filhos’ significaram os veros e as ‘filhas’ os bens. As ‘filhas’ ou bens pertencem à vontade. Mas qual é o homem, tal é o entendimento e tal a vontade, assim tais os ‘filhos e filhas’. Aqui se trata do homem corrupto cuja vontade nada é senão cobiças, que são consideradas, e mesmo chamadas, vontade. O que é predicado está conforme a qualidade daquilo de que lhe vem a predicação. Que o ‘homem’ aqui, a quem são atribuídas as ‘filhas’, seja o homem corrupto, foi mostrado antes. [2] Que as ‘filhas’ signifiquem as coisas que são da vontade e, quando não há vontade do bem, as cobiças, e que os ‘filhos’ signifiquem as coisas que são do entendimento e, quando não há entendimento do vero, as coisas enganosas, isto vem do fato de que o sexo feminino é formado de tal modo que a vontade ou a cobiça reina mais do que o entendimento. Qual é a disposição de todas as fibras delas, tal é a sua natureza. O sexo masculino, todavia, é formado de modo que o entendimento ou a razão reine. Da mesma forma, qual é a disposição das fibras deles, tal é toda a sua natureza. Daí haver o casamento entre um e outro, tal como existe entre a vontade e o entendimento em cada homem. E como hoje em dia não existe vontade do bem, mas cobiça, e como pode sempre existir alguma coisa do entendimento ou do racional, por isso é que há na Igreja Judaica tantas leis, abundantes quanto à prerrogativa do varão e à obediência da esposa.