Texto
. Que pelos ‘filhos de Deus’ sejam significados os doutrinais da fé, vê-se pela significação de ‘filhos’, de que se falou há pouco e no capítulo precedente (vers. 4), onde os ‘filhos’ significaram os veros da igreja. Os veros da igreja são os doutrinais que, considerados em si mesmos, eram veros porque as pessoas de que se está tratando os obtiveram dos antiquíssimos por tradição; por isso foram chamados ‘filhos de Deus’ e também, relativamente, porque as cobiças foram chamadas ‘filhas do homem’. Aqui é descrita a qualidade deles, a saber, que mergulharam os veros da igreja, que são santos, em suas cobiças e, assim, os conspurcaram. Daí também confirmaram seus princípios de forma por demais persuasiva. De que modo isto acontece, cada um pode julgar, por si e pelos outros: os que se persuadem a respeito de alguma coisa confirmam-se nisso por tudo o que imaginam ser verdadeiro, e até pelas coisas que estão na Palavra do Senhor; pois quando se detêm nos princípios firmados e nas persuasões, fazem com que todas as coisas os favoreçam e deem assentimento; e quanto mais se amam, mais se confirmam. Tal foi aquela nação, sobre a qual se falará na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor. Ali também se tratará de suas medonhas persuasões que — coisa admirável! — são tais que jamais lhes é permitido influir pelo raciocínio, porquanto destroem o racional dos espíritos presentes, mas influem somente pelas cobiças. Daí se vê o que significa “os filhos de Deus viram as filhas do homem, que eram boas, e tomaram para si esposas de todas as que escolhiam”, a saber, que eles conjungiram os doutrinais da fé às cobiças e, de fato, com cobiças de todo gênero.