. Que ‘JEHOVAH tenha dito: Destruirei o homem’ signifique que o homem se extinguiria, vê-se pelas coisas que foram ditas antes, a saber, que é atribuído a JEHOVAH ou ao Senhor que Ele castiga, tenta, faz o mal, destrói ou mata e amaldiçoa, como onde se diz que “JEHOVAH matou Er, primogênito de Judá, e Onan, o outro filho de Judá”, em Gênesis 38:7, 10; que “JEHOVAH deu à morte todo primogênito do Egito”, em Êxodo 12:12, 29; como em Jeremias: “Os que feri em Minha ira, e na Minha inflamação” (33:5); em Davi: “Enviou sobre eles a inflamaçãode Sua ira, ira veemente, e furor, e angústia, envio de anjos maus” (Sl. 78:49); em Amós: “E haverá o mal na cidade, e JEHOVAH não fez?” (3:6); em João: “Sete taças de ouro cheias da ira do Deus que vive no século dos séculos” (Ap. 15:1, 7; 16:1). Todas estas coisas são atribuídas a JEHOVAH, se bem que é inteiramente o contrário. A razão de serem atribuídas é a que foi dita antes. E depois, também, para que se conceba primeiro uma ideia muito geral de que o Senhor governa e dispõe todas e cada uma das coisas. Mas depois se reconheça que nenhum mal provém do Senhor, ainda menos que Ele mata, mas é o homem que traz o mal sobre si mesmo e a si mesmo se destrói e mata. Se bem que não é o homem mesmo, mas são os maus espíritos que o excitam e conduzem. Todavia é o homem, pois que ele não crê outra coisa senão que seja ele. É assim que agora se atribui aqui a JEHOVAH, que Ele destruiria o homem, quando todavia é o homem que se destrói e se extingue. [2] Pode-se ver de que maneira a coisa se passa principalmente por aqueles que, na outra vida, estão no sofrimento e no inferno; eles se lamentam continuamente e atribuem ao Senhor todo o mal de suas penas. De modo semelhante, os espíritos maus, no mundo dos maus espíritos, que põem o seu prazer, e até o maior de seus prazeres, em maltratar e castigar os outros. Os que são maltratados e punidos pensam que o são pelo Senhor. Foi-lhes dito e mostrado que do Senhor não procede mal algum, mas que são eles próprios que trazem o mal sobre si; porque, na outra vida, há um estado e um equilíbrio tais em todas as coisas, que o mal volta àquele que fez o mal, e se torna em pena do mal; e isso não pode deixar de existir, e se chama “permissão” por causa da correção do mau. Mas o Senhor sempre torna toda pena do mal em bem, de sorte que nada, senão o bem, procede do Senhor. O que realmente é a “permissão”, ninguém ainda o sabe: acredita-se que o permitido é feito por Aquele que o permite, pois que o permite. Mas a coisa se passa de forma inteiramente diferente. Sobre isso se falará na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor.