. Que a “terra estivesse cheia de violência” por causa das horrendas cobiças, e ainda mais pelas cobiças que são do amor de si, ou do desmesurado orgulho, vê-se pela Palavra. Diz-se ‘violência’ quando se faz violência às coisas santas, profanando-as, como o fizeram os antediluvianos, que imergiram os doutrinais da fé em cobiças de todo gênero. Como em Ezequiel: “Desviarei deles as Minhas faces, e profanarão o Meu recôndito; e que venham ali os arrombadores, e o profanarão. Faze a cadeia, porque a terra está cheia do juízo dos sangues, e a cidade está cheia de violência” (7:22-24). Aí são descritos os violentos, e que eles são tais como foi dito. No mesmo: “O seu pão comerão com solicitude, e suas águas beberão em desolação, para que seja devastada a sua terra da plenitude dela, por causa da violência de todos os habitantes nela” (Ez. 12:19); o ‘pão que comerão com solicitude’ são as coisas celestes; as ‘águas que beberão em desolação’ são as espirituais, às quais “fizeram violência” ou profanaram. [2] Em Isaías: “Os tecidos deles não serão por vestimenta, nem serão cobertos em suas obras; as obras deles são obras de iniquidade, e ato de violência há nas palmas das mãos deles” (59:6), onde ‘tecidos e vestimenta’ são atribuídos às coisas que são do entendimento ou do pensamento, e ‘iniquidade e violência’ às coisas que são da vontade ou das obras. Em Jonas: “Serão convertidos cada um do seu caminho mau, e da violência que há nas palmas das mãos deles” (3:8); onde ‘caminho mal’ é predicado aos falsos que são do entendimento, e ‘violência’ aos males que são da vontade. Em Jeremias: “Virá num ano de rumor, e [haverá] violência na terra” (51:46); ‘rumor’ são as coisas que são do entendimento, e ‘violência’ as que são da vontade. Em Isaías: “Nenhuma violência fez, e nenhum dolo em sua boca” (63:9); onde ‘violência’ são as coisas que são da vontade, e ‘dolo na boca’ as que são do entendimento.