. A coisa se passa assim: no homem não existe entendimento algum do vero nem vontade alguma do bem, nem mesmo com aqueles que foram da Igreja Antiquíssima. Mas quando se tornam celestes, parece como se a vontade do bem e o entendimento do vero estivessem neles, mas isto é do Senhor, só, o que também eles sabem, reconhecem e percebem. Assim também se dá com os anjos. Isto chega a um tal ponto que, aquele que não sabe, não reconhece nem percebe que é assim, não tem absolutamente entendimento algum do vero nem da vontade do bem. Em qualquer homem, como também em qualquer anjo, ainda que seja os celestíssimos, o seu próprio nada é senão o falso e o mal. Pois se sabe que os céus não são puros diante do Senhor, e que todo bem e todo vero procedem do Senhor, somente. Mas como o homem e o anjo podem ser aperfeiçoados, assim, pela Divina misericórdia do Senhor, são aperfeiçoados e recebem como que um entendimento do vero e uma vontade do bem; mas que eles os tenham, isto é somente uma aparência. Qualquer homem pode ser aperfeiçoado e, consequentemente, receber este dom pela misericórdia do Senhor, segundo os atos de sua vida e em conformidade com os seus males hereditários implantados pelos pais.