Texto
. Que pela ‘janela, que devia ser terminada a um côvado de cima’ seja significado o intelectual, qualquer um pode ver pelas coisas que ora foram ditas, e depois por isso, que o intelectual não pode ser comparado a outra coisa senão a uma janela em cima, quando de trata da construção da arca, e pela ‘arca’ é significado o homem da igreja. Semelhantemente, na Palavra chama-se ‘janela’ o intelectual do homem, quer seja a razão, quer seja o raciocínio, isto é, sua vista interna. Como em Isaías:
“Aflita, pelo turbilhão arrojada, não consolada; ...farei de ágata teus sóis (janelas)29, e os teus portões de pedra de carbúnculo, e todo o teu termo de pedras de desejo” (54:11, 12);
aí, em lugar de ‘janela’ há ‘sóis’ por causa da luz que é emitida ou transmitida; ‘sóis’ ou ‘janelas’ aí são as coisas intelectuais, e isso pela caridade; por isso são assemelhadas à ágata; os ‘portões’ são as coisas racionais daí; e o ‘termo’ é o conhecimento e o sentido. Trata-se aí da igreja do Senhor.
[2] Todas as ‘janelas’ no templo de Jerusalém representavam a mesma coisa, as ‘de cima’ dentre elas representavam as coisas intelectuais, as ‘médias’ as coisas racionais, e as ‘ínfimas’ os conhecimentos e coisas do sentido, porquanto eram três andares (1 Reis 6:4, 6, 8). Semelhantemente se dá com as ‘janelas’ da nova Jerusalém em Ezequiel 40:16, 22, 25, 33, 36. Em Jeremias:
“Subiu a morte em nossas janelas, veio aos nossos palácios, para aniquilar a criança da praça, os jovens das ruas” (9:20);
onde são significadas as janelas médias do compartimento, as quais são as coisas racionais que foram extintas; ‘criança na praça’ é a verdade nascente.
[3] Como as ‘janelas’ significam as coisas intelectuais e racionais que pertencem ao vero, significam também os raciocínios que pertencem ao falso. Como no mesmo livro:
“Ai do que edifica a sua casa não em justiça, e seus aposentos não em juízo... o que diz: Edificarei para mim uma casa de dimensões, e aposentos espaçosos; e talha para si janelas, e soalhos de cedro, e pintada de vermelho” (22:13, 14);
as ‘janelas’ estão em lugar dos princípios do falso. Em Sofonias:
“Deitar-se-ão no meio dela os bandos de bestas, toda fera de sua raça; tanto o pelicano quanto o ouriço [chippod] pernoitarão em suas romanzeiras; uma voz cantará na janela, a assolação no limiar” (2:14);
tratando-se da Assíria e de Nínive; ‘Assíria’ é o entendimento, que aqui está devastado; a ‘voz que canta na janela’ está em lugar dos raciocínios e fantasias.