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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘em sete dias’ signifique aqui o começo da tentação, vê-se pelo sentido interno de tudo o que se acha neste versículo, que trata da tentação do homem que se chama ‘Noé’. Trata-se, em geral, tanto de sua tentação quanto da total devastação daqueles que foram da Igreja Antiquíssima e se tornaram tais. Por isso, ‘em sete dias’ significa não somente o começo da tentação, mas também o final da devastação. Que ‘em sete dias’ signifique essas coisas é porque o número sete é santo, como foi dito e mostrado anteriormente, no vers. 2 deste capítulo e, no capítulo 4, vers. 15 a 24, e nos n. 84 a 87, significando o advento do Senhor ao mundo, depois, o Seu advento em glória e, em particular, todo advento Seu. Todo advento do Senhor tem essa característica de ser o começo para os que estão sendo regenerados e o fim para os que estão sendo devastados. Assim, para o homem dessa igreja o Seu advento foi o começo da tentação, pois quando o homem é tentado, começa a ser formado de novo e regenerado. E foi, ao mesmo tempo, o fim daqueles que, na Igreja Antiquíssima se tornaram tais que não puderam deixar de perecer. Foi assim quando o Senhor veio ao mundo: naquela ocasião a igreja estava em sua última devastação, e então se fez nova.
[2] Que ‘em sete dias’ signifique essas coisas, vê-se em Daniel:
“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a cidade de tua santidade, para consumar a prevaricação e para selar os pecados, e para expiar a iniquidade e para trazer a justiça dos séculos; e para selar a visão e o profeta, e para ungir o santo dos santos. E sabes e percebes, desde a saída da Palavra para restituir e para edificar Jerusalém até o Príncipe Messias, SETE SEMANAS” (Dn. 9:24, 25).
Aí, ‘setenta semanas’ e ‘sete semanas’ significam o mesmo que os sete dias, isto é, o advento do Senhor. Como, porém, a profecia aí é clara, pelos números septenários são designados tempos ainda mais santos e mais certos. Por aí se vê que o ‘sete’ aplicado assim aos tempos significa não somente o advento do Senhor, mas também o começo de uma nova igreja, por estas palavras: que ‘o santo dos santos seria ungido’ e que ‘Jerusalém seria restaurada e edificada’. Ao mesmo tempo, a última devastação é significada por estas palavras: que ‘tinham sido determinadas semanas sobre a cidade da santidade para consumar a prevaricação e para selar o pecado’.
[3] Ocorre coisa semelhante em outra passagem da Palavra, em Ezequiel, onde o profeta disse a seu respeito:
“Vim ao cativeiro, a Telabib, aos que estavam sentados junto ao rio Kebar, e sentei-me ali sete dias, pasmado entre eles. E aconteceu que, ao fim de sete dias, veio a mim a palavra de JEHOVAH”. (Ez. 3:15, 16);
onde os ‘sete dias’ estão também em lugar do começo da devastação, porque depois de sete dias, quando se achava sentado entre os que estavam no cativeiro, veio a ele a palavra de JEHOVAH. No mesmo:
“Sepultarão Gog, para limparem a terra por sete meses; ao fim de sete meses serão procurados” (Ez. 39:12, 14),
onde se trata, semelhantemente, do último término da devastação e do começo da visitação. Em Daniel:
“O coração de Nabucodonosor não mais será de homem, e um coração de besta lhe será dado; e sete tempos passar-se-ão sobre ele” (Dn. 4:16, 25, 32),
significando igualmente o fim da devastação e o começo de um novo homem.
[4] Os setenta anos de cativeiro babilônico representaram o mesmo. Quer seja setenta, quer seja sete, as mesmas coisas são envolvidas, como sete dias ou sete anos ou sete séculos, que fazem setenta anos. A devastação foi representada pelos anos de cativeiro. O começo de uma nova igreja foi representado pela liberação e pela reedificação do templo. Coisas semelhantes foram também representadas pela servidão de Jacó sob Labão, a cujo respeito se lê nestas palavras:
“Servir-te-ei sete anos por Raquel; ...e serviu sete anos; disse Labão: Cumpre esta semana, e dar-te-emos também a outra pelo serviço que me servirás ainda outros sete anos; e fez Jacó assim, e cumpriu aquela semana” (Gn. 29:18, 20, 27, 28),
onde ‘sete anos de serviço’ envolve o mesmo, porque depois de sete anos houve casamento e liberdade. O tempo desses sete anos é chamado semana, assim também em Daniel.
[5] O mesmo foi também representado pelo fato de ter sido ordenado que ‘rodeassem a cidade de Jericó sete vezes’ e o muro cairia. É dito que
“No sétimo dia, levantaram-se à aurora e rodearam a cidade, da mesma maneira, sete vezes; e aconteceu, na sétima vez, que os sete sacerdotes tocaram as sete trombetas, e o muro caiu” (Js. 6:10-20).
A menos que essas coisas também tivessem uma significação, nunca teria sido ordenado que rodeassem sete vezes e houvesse sete sacerdotes e sete trombetas. Por estas e por muitas outras passagens da Palavra, como Jó 2:13, Ap. 15:1, 6, 7; 21:9, pode-se ver que ‘em sete dias’ significa o começo de uma nova igreja e o fim da velha igreja. Aqui, uma vez que se trata tanto do homem da igreja que se chama Noé e de sua tentação quanto da última posteridade da Igreja Antiquíssima, que se perdeu, por ‘ainda sete dias’ não pode ser significada outra coisa senão o começo da tentação de Noé e o fim da Antiquíssima Igreja, ou sua última devastação e sua morte.

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