ac 739

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que o ‘dilúvio de águas’ signifique o começo da tentação, vê-se do fato de que aqui se trata da tentação quanto às coisas intelectuais, tentação essa que precede e é leve, como se disse. Por isso se chama ‘dilúvio de águas’ e não simplesmente ‘dilúvio’, como no versículo 17, seguinte, porquanto as ‘águas’ significam as coisas espirituais do homem, as coisas intelectuais da fé e, depois, seus opostos, ou os falsos, como pode ser confirmado por muitas passagens da Palavra.
[2] Que o ‘dilúvio de águas’ ou inundação signifique tentação, vê-se pelo que foi mostrado nas premissas deste capítulo, como também em Ezequiel:
“Assim disse o Senhor JEHOVIH: Farei irromper um vento de procelas em Minha inflamação, e um aguaceiro inundante se fará em Minha ira, e pedras de saraiva em furor, para consumação, para que [Eu] destrua a parede que rebocais de inépcia” (13:11, 13, 14),
onde ‘vento de procelas e aguaceiro inundante’ estão em lugar da desolação do falso; ‘parede rebocada de inépcia’ em lugar do fictício sob a aparência de vero. Em Isaías:
“JEHOVAH Deus, proteção contra a inundação, sombra contra o calor, porque o sopro dos violentos é como uma inundação contra a parede” (25:4);
aí, a ‘inundação’ está em lugar da tentação quanto às coisas intelectuais e se distingue da tentação quanto às voluntárias, que é o ‘calor’.
[3] No mesmo:
“Eis um forte e robusto para o Senhor, como inundação de saraiva, procela de destruição, como inundação de poderosas águas, transbordantes” (Is. 28:2);
aí se descreve o grau da tentação. No mesmo:
“Quando passares pelas águas, Eu [estarei] contigo; e pelos rios, não te inundarão; quando fores através do fogo, não te queimarás, e a chama não te arderá” (Is. 43:2),
onde ‘águas e rios’ estão em lugar dos falsos e das fantasias, e ‘fogo e chama’ em lugar dos males e das cobiças. Em Davi:
“Sobre isto todo santo orará a Ti, a tempo de [Te] achar, para que, na inundação de muitas águas, elas o não atinjam. Tu és abrigo para mim, da angústia me preservarás” (Sl. 32:6, 7),
onde a ‘inundação das águas’ está em lugar da tentação, que também se chamam ‘dilúvio’. No mesmo:
“JEHOVAH sobre o dilúvio [está] assentado; e assentado [está] JEHOVAH, Rei na eternidade” (Sl. 29:10).
Por estas passagens e pelas premissas neste capítulo, vê-se que o ‘dilúvio’ ou a ‘inundação das águas’ não significa outra coisa senão tentações e vastações, ainda que estejam descritos historicamente, segundo a maneira dos antiquíssimos.

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