. Até aqui se tratou da tentação do homem da Igreja chamada Noé; primeiro de sua tentação quanto às coisas intelectuais, que são os veros da fé, do vers. 6 ao 10, e, em seguida, de sua tentação quanto às coisas voluntárias, que se referem aos bens da caridade, vers. 11 e 12. O propósito das tentações era que daí renascesse o homem da igreja, ou uma igreja nova, tendo perecido a Antiquíssima. Essa igreja, conforme se disse anteriormente, era de uma índole diferente da índole da Antiquíssima, a saber, era espiritual, cuja qualidade é tal que o homem renasce por meio dos doutrinais da fé. Ao serem implantados estes, a consciência é insinuada no homem, para que não aja contra o vero e o bem da fé. Assim ele é dotado de caridade, que rege a sua consciência, pela qual ele começa, assim, a agir. Por aí se pode ver o que é o homem espiritual, a saber, não é aquele que acha que a fé sem a caridade pode salvar, mas aquele faz da caridade o essencial da fé e por isso age. O propósito era, pois, que tal homem ou tal igreja existisse, pelo que agora se trata dessa igreja mesma. Que agora se trate dessa igreja pode-se ver por uma repetição, por assim dizer, da mesma coisa, pois aqui se diz: “naquele mesmo dia entrou Noé, e Shem, e Cam, e Jafé, filhos de Noé, e a esposa de Noé, e as três esposas de seus filhos com eles, na arca”. Acima, no vers. 7, se diz de modo semelhante, mas com estas palavras: “e entrou Noé, e seus filhos e as suas esposas, e as esposas de seus filhos com ele, na arca”. Como, porém, agora se trata da igreja, são nomeados os filhos Shem, Cam e Jafé, os quais, quando são especificamente nomeados, significam o homem da igreja, mas quando são chamados ‘filhos’, sem os nomes, significam os veros da fé. Além disso, repete-se de novo o que fora dito anteriormente nos vers. 8 e 9 a respeito das bestas e aves, e, nos vers. 14 a 16, que elas entraram na arca, mas com variedade conveniente e aplicável aqui à igreja.