. Pela descrição desses antediluvianos pode-se ver qual foi o estilo dos antiquíssimos e, assim, qual foi o estilo profético. Eles estão descritos aqui e até o final deste capítulo; neste versículo, quanto às persuasões, e no versículo seguinte, 23, quanto às cobiças, isto é, no primeiro, quanto ao estado de seu entendimento e, depois, quanto ao estado de sua vontade. E embora não houvesse neles coisa alguma de intelectual ou voluntária, ainda assim as coisas que são opostas devem ser assim nomeadas, como as persuasões do falso, que são nada menos que coisas do entendimento, porque pertencem ao pensamento e aos raciocínios. Igualmente as cobiças, que são nada menos que coisas da vontade. Eles são descritos — eu digo — primeiro quanto às persuasões do falso, em seguida quanto às cobiças, o que é a causa das repetições neste versículo, 21, e no seguinte, 23, mas numa outra ordem. [2] Assim é o estilo profético. A razão disso é que há duas vidas no homem, uma do entendimento e outra da vontade, sendo elas muito distintas entre si. O homem consiste em uma e outra. E, ainda que hoje estejam separadas no homem, uma influi, não obstante, na outra e ambas se unem na maioria das vezes. Que elas se unam, e de que maneira o fazem, pode-se ver e esclarecer por muitos exemplos. Como, pois, o homem se constitui dessas duas partes, entendimento e vontade, e uma influi na outra, quando o homem é descrito na Palavra, é descrito distintamente quanto a uma parte e quanto a outra, o que é a causa das repetições, senão haveria um defeito. Acontece de modo semelhante com todas as coisas, porque as coisas são inteiramente conformes aos sujeitos, pois são dos sujeitos, porque procedem dos sujeitos. As coisas separadas de seu sujeito, ou de sua substância, não são coisa alguma. Esta é a razão por que as coisas são semelhantemente descritas na Palavra quanto a uma e outra parte; assim a descrição de cada coisa é plena.