Texto
. ‘De tudo o que havia no árido’. Que isto signifique naqueles em que não havia mais essa vida, e que ‘foram mortos’ signifique que tinham expirado, segue-se do que foi dito acima. E como se extinguiu toda vida do amor e da fé, aí se diz ‘árido’. O árido é onde não existe água, isto é, onde nada mais existe de espiritual e menos ainda de celeste. A persuasão do falso extingue e sufoca, por assim dizer, todo espiritual e celeste, como qualquer um pode saber por muitas experiências, se prestar atenção. Aqueles que uma vez conceberam opiniões, mesmo as mais falsas, apegam-se a elas tão obstinadamente que não querem sequer ouvir algo que seja contrário, de modo que nunca se deixam instruir, mesmo se se expor a verdade perante seus olhos, ainda mais quando a opinião do falso procede de alguma santidade que eles cultuam. Esses são os que desprezam o vero, e os que o admitem pervertem-no e, assim, o imergem nas fantasias. São esses que são significados pelo ‘árido’, no qual não existe água nem erva, como em Ezequiel:
“Farei áridos os rios, e venderei a terra à mão dos maus, e desolarei a terra e a sua plenitude” (30:12);
‘fazer áridos os rios’ quer dizer que não existe mais o que é espiritual. E em Jeremias:
“Fez-se árida a vossa terra” (44:22);
‘árida’ está em lugar da terra desolada e devastada, onde nada mais existe do vero e do bem.