Texto
. No plano das plantas dos pés, para frente e a uma distância assaz grande, acha-se o inferno que é chamado Gehenna, onde há as mulheres impudicas que puseram todo o seu prazer nos adultérios e consideraram os adultérios não só como lícitos, mas até como honestos, e que, sob diferentes pretextos de honra, arrastaram pessoas inculpáveis e inocentes a tais atos. Ali aparece como que uma espécie de fogo, como o que costuma brilhar no ar durante um grande incêndio; existe também um ardor que me foi concedido sentir pelo calor daí se difundindo em minha face, e o fedor daí é como o que exala de ossos e cabelos queimados. Esse inferno se transforma às vezes em serpentes horrendas que os mordem; então eles desejam a morte, mas não podem morrer. Algumas delas, saindo dali, vieram a mim e disseram que lá havia esse ardor, e, quando se lhes permite aproximar de alguma sociedade de bons espíritos, esse ardor se transforma em frio intenso, e então elas sentem, desde uma extremidade até a outra, uma ondulação de fogo e de gelo que as faz padecer miseravelmente. Contudo, elas têm seus intervalos, em que estão no ardor ígneo de sua libidinagem, mas, como foi dito, os seus estados mudam.