. Que ‘abriu Noé a janela da arca, que fizera’ signifique o segundo estado, quando os veros da fé se lhe apresentaram, pode-se ver pelas últimas palavras do versículo precedente, que diz: ‘apareceram as cabeças dos montes’ e da significação delas, como também pela significação de ‘janela’, de que se tratou anteriormente, n. 655, que é o intelectual, por conseguinte, o vero da fé, que é o mesmo, e pelo fato de que isto é a primeira [claridade] da luz. Sobre o intelectual ou o vero da fé, significado pela ‘janela’, deve-se observar aqui o mesmo que antes, a saber, que nunca pode existir vero algum da fé que não seja pelo bem do amor ou da caridade, assim como nada verdadeiramente intelectual pode existir senão pelo voluntário. Se removeres o voluntário, não haverá o intelectual, como se mostrou algumas vezes anteriormente; assim, se removes a caridade, não há fé. Mas, como a vontade do homem é mera cobiça, para que seu intelectual ou o vero da fé não fosse imerso na cobiça, o Senhor proveu miraculosamente a distinção entre o intelectual e o voluntário do homem por um certo meio que é a consciência, na qual a caridade é inserida pelo Senhor. Sem essa miraculosa providência ninguém poderia jamais ser salvo.