Texto
. Que ‘enviou um corvo, e saiu, saindo e voltando’ signifique que as falsidades ainda perturbavam, vê-se pela significação de ‘corvo’ e pela significação de ‘sair e voltar’, de que se tratará na sequência. Aqui é descrito o segundo estado do homem que está sendo regenerado, após a tentação, quando os veros da fé, como a primeira [claridade] da luz, começam a aparecer. Esse estado é tal que as falsidades perturbam continuamente, de modo que é o estado como o do crepúsculo matutino, quando ainda permanece a obscuridade da noite; por isso é aqui significado pelo ‘corvo’. As falsidades no homem espiritual, especialmente antes que ele tenha sido regenerado, são como as manchas densas de uma nuvem. A razão disso é que o homem nada pode saber do vero da fé senão pelas revelações que estão na Palavra, onde todas as coisas foram ditas de um modo geral. As gerais não são outra coisa senão manchas da nuvem, pois cada geral encerra em si milhares e milhares de particulares, e cada particular, milhares e milhares de singulares. As singulares das particulares são as que iluminam as gerais. Elas nunca foram muito reveladas ao homem, tanto porque não podem ser descritas, como porque não são compreendias, por conseguinte, não são reconhecidas e cridas, pois são contrárias às falácias dos sentidos em que o homem está, as quais não se deixam facilmente destruir.
[2] Dá-se completamente diferente com o homem celeste, que tem a percepção vinda do Senhor. Nele, as coisas particulares e as singulares das particulares podem ser insinuadas. A título de exemplo: que o verdadeiro casamento é o de um só varão e uma só esposa, e que esse casamento é um representativo do casamento celeste; por conseguinte, que em tal casamento possa haver a felicidade celeste, nunca no casamento de um varão com várias esposas. O homem espiritual, que sabe isto pela Palavra do Senhor, aquiesce e, assim, recebe a consciência de que o casamento com várias esposas é um pecado, e não sabe além disso. Mas o homem celeste percebe milhares de coisas que confirmam isso, de modo que abomina o matrimônio com várias. Como o homem espiritual sabe somente as coisas gerais, e pelas gerais forma a sua consciência, e as gerais da Palavra foram acomodadas às falácias dos sentidos, vê-se que inúmeras falsidades se adjuntam, a ponto de se insinuarem, as quais não podem ser dissipadas. Essas falsidades são significadas pelo ‘corvo, que saiu, indo e voltando’