Texto
. Que ‘voltou a ele, à arca’ signifique o bem e o vero parecendo serem da fé, vê-se pelas coisas que foram ditas e, também, pelas que se seguem. ‘Voltar à arca’, no sentido interno, não significa a libertação, mas ‘ser enviado da arca e não voltar’, como se vê pelo que se segue, como no vers. 12, que ‘ele enviou a pomba, e ela não tornou mais a voltar para ele’, como também pelo vers. 15 e 16, que ‘se lhe ordenou que saísse da arca’, e pelo vers. 18, que ele ‘saiu’. A ‘arca’ significa o seu estado antes da regeneração; quando esteve ali, esteve no cativeiro ou no cárcere, obsedado por todos os lados pelos males e falsos, ou pelas ‘águas do dilúvio’. Por isso, ‘ela voltou a ele, à arca’ significa que o bem e vero que se entende pela ‘pomba’ retornou de novo a ele. Todo bem que o homem pensa fazer por si retorna a ele, pois visa a ele mesmo; ou o faz para parecer diante do mundo, ou diante dos anjos, ou para merecer o céu, ou para ser grande no céu. Tais intenções estão em seu proprium e em cada uma de suas ideias, embora na forma externa pareça haver o bem e vero da fé. O bem e vero da fé é interiormente bem e vero desde os íntimos, isto é, pelos íntimos do homem influi do Senhor todo bem e vero da fé, mas, quando vem do proprium ou do mérito, então os interiores são impuros e os exteriores parecem limpos, absolutamente como uma meretriz infecta cuja face parece atraente, ou como um etíope, ou melhor, uma múmia dos egípcios envolta em brancas vestes.