. Que o ‘vigésimo sétimo’ dia signifique o que é santo, vê-se daí, porque é composto de três multiplicado por si mesmo duas vezes. Três multiplicado por si mesmo são nove, e esse nove outra vez multiplicado por três são vinte e sete. Por isso o três reina nesse número. Assim os antiquíssimos calculavam seus números e por eles não entendiam outra coisa senão que o ‘três’ significa o mesmo que ‘sete’. Que ‘três’ signifique o mesmo que ‘sete’, pode-se ver pelo que foi dito há pouco. A razão oculta é que o Senhor ressuscitou no terceiro dia. A ressurreição mesma do Senhor envolve tudo o que é santo e a ressurreição de todos. Por isso na Igreja Judaica esse número se tornou representativo e, na Palavra, é santo, do mesmo modo que no céu, onde não há números, mas, em lugar de três e de sete, uma ideia santa, em geral, da ressurreição e do advento do Senhor. [2] Que o ‘três’ e o ‘sete’ signifiquem coisas santas, vê-se pelas seguintes passagens na Palavra. Em Moisés: “Quem tocar num morto será impuro sete dias; esse se expiará no terceiro dia, e no sétimo dia será limpo. E se no dia terceiro não se purificar, no sétimo dia não será limpo. Quem tocar num traspassado à espada ou num morto, ou num osso de homem, ou num sepulcro, imundo será sete dias; o limpo espargirá sobre o imundo no terceiro dia e no dia sétimo, e o expiará no dia sétimo, e lavará as suas vestes e se banhará nas águas, e será limpo à tarde” (Nm. 19:11-12, 16, 19). Que essas palavras sejam representativas, ou externas que significam internas, vê-se claramente; por exemplo, que fosse imundo quem tocasse em morto, traspassado, osso de homem e sepulcro; todas essas coisas significam os próprios do homem, que são mortos e profanos; depois, também, que se lavasse nas águas e que estaria limpo à tarde. Assim também o dia terceiro e o dia sétimo são representativos, significando o que é santo, porque neles seria expiado e, assim seria limpo. [3] Semelhantemente aos que voltaram da peleja contra os midianitas, dos quais se diz: “Acampai-vos fora do arraial por sete dias, todo o que tiver matado uma alma e todo o que tiver tocado num morto; vos expiareis no terceiro dia e no sétimo dia” (Nm. 31:19). Se isto fosse somente um ritual e os dias terceiro e sétimo não fossem representativos e significativos do que é santo ou da expiação, seria algo morto, como o que é sem causa e a causa sem fim, ou como algo separado da causa e esta, de seu fim; portanto, nada haveria de Divino. Que o terceiro dia tenha sido representativo e, assim, significativo, vê-se claramente pelo advento do Senhor sobre o monte Sinai, sobre qual evento foi assim ordenado: “Disse JEHOVAH a Moisés: Vai ao povo, e santifica-os hoje e amanhã, para que lavem as suas vestes e estejam preparados ao terceiro dia, porque no terceiro diaJEHOVAH descerá aos olhos de todo o povo sobre o monte Sinai” (Êx. 19:10, 11, 15, 16). [4] Semelhantemente, que Josué passasse o Jordão ao terceiro dia, a cujo respeito se lê assim: “Ordenou Josué: Passai pelo meio do arraial e ordenai ao povo, dizendo: Preparai para vós mantimento, porque em três dias passareis este Jordão, para virdes herdar a terra” (Js. 1:11; 3:2); a ‘passagem do Jordão’ representava a introdução dos filhos de Israel, isto é, dos regenerados, no reino do Senhor; ‘Josué’, que os introduziu, é o Senhor mesmo, e isto no ‘terceiro dia’. Como o dia terceiro foi santo, assim como o sétimo, foi instituído que o ano dos dízimos fosse o terceiro ano, e que então se apresentassem santamente pelas obras de caridade (Dt. 26:12 e seq.). Os ‘dízimos’ representavam as relíquias, que, por pertencerem somente ao Senhor, são santas. Que Jonas tenha estado nas vísceras do peixe por três dias e três noites (Jn. 2:1) representava claramente a sepultura e a ressurreição do Senhor ao terceiro dia (Mt. 12:40). [5] Que ‘três’ signifique o que é santo, pode-se ver também nos Profetas, como em Oseias: “JEHOVAH nos vivificará depois de dois dias; no terceiro dia nos levantará, para que vivamos diante d’Ele” (6:2); onde ‘três dias’ também está claramente em lugar do advento do Senhor e da ressurreição. Em Zacarias: “Sucederá em toda a terra [que] duas partes nela serão cortadas, expirarão, e a terceira será deixada nela. E conduzirei a terceira parte pelo fogo, e os purificarei como se purifica a prata, e os provarei como se prova o ouro” (13:8); onde a ‘terça parte ou ‘três’ está em lugar do que é santo. A terça parte envolve o mesmo que três, assim como a terceira de três partes, como aqui, pois três é a terça parte da terça parte de vinte e sete.