. Assim é que o ‘réptil que rasteja’ significa semelhantes coisas que correspondem no seu homem externo. No homem regenerado, as coisas externas correspondem às internas, isto é, são-lhes submissas. As externas são submetidas às internas quando o homem é regenerado, e então ele se torna imagem do céu. Mas, antes de ser regenerado, as externas dominam as internas, e então ele é imagem do inferno. A ordem é que as coisas celestes governem as espirituais, por estas, as naturais, e, finalmente, por estas, as corpóreas. Quando, porém, as coisas corpóreas e naturais dominam as espirituais e celestes, a ordem é destruída; e quando a ordem é destruída, o homem é uma imagem do inferno. Por isso, pela regeneração a ordem é restaurada pelo Senhor, e quando é restaurada, o homem se torna uma imagem do céu. Assim o homem é tirado do inferno pelo Senhor e assim é levado ao céu. [2] Para que se saiba de que maneira se faz então a correspondência do homem externo com o interno, é permitido expô-lo em poucas palavras. Cada homem regenerado é uma espécie de um pequeno céu, ou uma efígie ou imagem de todo o céu; por isso, na Palavra, o seu homem interno é até chamado céu. Essa ordem no céu é que o Senhor pelas coisas celestes governe as espirituais e, por estas, as naturais, e assim todo o céu como um só homem, pelo que também o céu é chamado Máximo Homem. Essa ordem também existe em cada um que está no céu. Quando o homem também é tal, então ele é, semelhantemente, um pequeno céu, ou, o que é o mesmo, é o reino do Senhor, porque nele está o reino do Senhor. Então as coisas internas correspondem nele às internas, isto é, estão em obediência, do mesmo modo que no céu, pois nos céus, que são três e se referem juntamente a um só homem, os espíritos constituem o homem externo, os espíritos angélicos, o homem interior, e os anjos, o homem interno (n. 459). [3] Ocorre o contrário naqueles que põem a vida somente nas coisas corpóreas, isto é, nas cobiças, nas vontades e nos apetites, e nas coisas sensuais, ou seja, aqueles que não percebem prazer algum senão no que pertence ao amor de si e do mundo, que é o mesmo que os ódios contra todos os que não os favorecem e servem. Nesses, como as coisas corpóreas e naturais dominam as espirituais e celestes, não somente não há correspondência ou obediência dos externos, mas é inteiramente o contrário, e, assim, a ordem é completamente destruída; e como a ordem é assim destruída, eles não podem ser outra coisa senão imagens do inferno.