. Que as ‘semeaduras e ceifas’ signifiquem o homem que deve ser regenerado e, daí, a igreja, não há necessidade de se confirmar pela Palavra, onde ocorre tantas vezes que o homem é comparado e assemelhado a um campo, assim, à ‘sementeira’, e a Palavra do Senhor é comparada e assemelhada à ‘semente’, e o efeito mesmo, ao ‘provento’ ou à ‘messe’, o que qualquer um compreende pelo fato de isto ser familiar na linguagem. Em geral, aqui se trata de todo homem, que nunca deixará de acontecer que a semente seja inseminada nele pelo Senhor, seja dentro, seja fora da igreja, isto é, quer conheça, quer não conheça a Palavra do Senhor. Sem a inseminação da semente pelo Senhor o homem não pode fazer bem algum. Todo bem da caridade, mesmo entre os gentios, é a semente vinda do Senhor. Embora entre os gentios não haja o bem da fé como pode haver dentro da igreja, pode, todavia, vir a existir o bem da fé, pois os gentios que viveram na caridade, como costumam fazer no mundo, quando, na outra vida, são instruídos pelos anjos, abraçam e recebem a doutrina da verdadeira fé e a fé da caridade muito mais facilmente do que os cristãos. A este respeito se dirá na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor. Em particular, porém, aqui se trata do homem que deve ser regenerado, a saber, que não deixará de haver alguma igreja na terra, o que é significado aqui por ‘todos os dias da terra semeaduras e ceifas’. Que sempre hão de existir semeaduras e ceifas, ou a igreja, isto se refere ao que foi dito no versículo precedente, ou seja, que o homem não mais poderia se destruir assim, como a última posteridade da Igreja Antiquíssima.