Texto
. Em quão sórdidas fantasias se convertem as ideias do pensamento dos que foram sordidamente avaros vê-se pelo inferno deles, que está profundamente sob os pés. Dali exala um vapor como o vapor de esterco de porcos num esgoto; ali estão as moradas dos avaros. Os que ali chegam aparecem primeiro enegrecidos, e, pela raspagem dos pelos, como se fazem aos porcos, acham que se tornaram brancos e assim também aparecem a si mesmos. Mas, aonde quer que vão, fica sempre uma marca que indica o que eles são. Certo espírito negro — que ainda não tinha sido precipitado em seu inferno, porque ainda havia de ficar no mundo dos espíritos — foi para lá enviado; ele não tinha sido tão avaro, mas, quando viveu, tinha cobiçado maliciosamente as riquezas dos outros. Ao se aproximar dali, os avaros fugiam dele, dizendo que era um ladrão, por ser negro, e que, assim, os mataria, pois os avaros fogem dos tais porque temem imensamente pela vida. Quando, finalmente, se descobriu que ele não era um ladrão, disseram-lhe que, se quisesse, tornar-se-ia branco se tão somente lhe tirassem os pelos, como se fazia aos porcos que ele via, e assim embranqueceria. Mas ele não o quis, e foi tomado entre os espíritos.