Texto
. Acordei numa noite do sono e ouvi ao meu redor espíritos que queriam me armar cilada no sono, mas, quase desperto, tive um sonho triste. Tendo despertado, porém, acorreram espíritos punidores, o que me causou admiração, e puniam miseravelmente aqueles espíritos que me tinham insidiado no sono, induzindo-lhes como que corpos, que eram vistos, e sentidos corpóreos, e assim, por meio de violentas contusões, para cá e para lá, atormentavam com as dores induzidas pela resistência. A disposição dos punidores era de matar, se o pudessem, pelo que usavam da maior violência. Eram, em sua maior parte, sereias – de que se tratou no n. 831. A punição durou por muito tempo e se estendia ao meu redor até muitas coortes; e, o que causou admiração, foram encontradas todas aquelas que tinham insidiado, ainda que quisessem se esconder. Como eram sereias, tentaram por muitos artifícios evitar a punição, mas não o puderam. Ora queriam se ocultar numa natureza interior, ora induzir a ideia de que eram outras, ora desviar a punição para outros, pela translação das ideias, ora fingindo que eram crianças que eles atormentavam, ora que eram bons espíritos, ora anjos, além de muitas outras coisas, mas em vão. Fiquei admirado por elas serem tão gravemente punidas, mas percebi que o crime era enorme por causa da necessidade que o homem tem de dormir protegido, e, se não fosse assim, o gênero humano pereceria. Daí a necessidade de tamanha punição. Percebi que também acontece o mesmo ao redor de outros homens, os quais elas procuram insidiosamente invadir, embora o homem não o saiba. Porque a quem não foi concedido falar com espíritos e estar no sentido interno com eles nada pode ouvir e muito menos ver disso, quando, todavia, coisas semelhantes ocorrem ao redor dos outros. O Senhor vela com o maior cuidado quando o homem dorme.