. Sentido Interno *977. VISTO que aqui se trata do homem regenerado, cumpre dizer umas poucas palavras a respeito de sua qualidade em comparação com o homem não regenerado, donde se pode conhecer qual é um e outro. No homem regenerado há consciência do bem e do vero; pela consciência ele faz o bem, e pela consciência pensa o vero; o bem que ele faz é o bem da caridade, e o vero que ele pensa é o vero da fé. No homem não regenerado não há consciência; se houver alguma, não é a consciência de fazer o bem pela caridade e de pensar o vero pela fé, mas por algum amor por causa de si ou por causa do mundo, sendo, por isso, uma consciência espúria ou falsa. No homem regenerado há contentamento quando age segundo a consciência e há ansiedade quando é coagido a agir ou pensar contra a consciência, mas no homem não regenerado não é assim. As pessoas, em sua maioria, não sabem o que é consciência, ainda menos o que é fazer algo segundo a consciência ou contra a consciência, mas segundo as coisas que favorecem os seus amores, donde elas têm contentamento; quando agem contra elas, têm ansiedade. [2] No homem regenerado há uma nova vontade e um novo entendimento; essa nova vontade e esse novo entendimento são a sua consciência, isto é, estão em sua consciência, pela qual o Senhor opera o bem da caridade e o vero da fé. No homem não regenerado não há vontade, mas cobiça em lugar da vontade e, daí, inclinação para todo mal; e não há entendimento, mas raciocínio e, daí, a queda em todo falso. No homem regenerado há vida celeste e espiritual, mas no homem não regenerado há somente vida corpórea e mundana. Que este possa pensar e entender o que é o vero e o que é o bem, isto vem da vida do Senhor por meio das relíquias, das quais se tratou anteriormente, onde ele tem a faculdade de refletir. [3] No homem regenerado, o homem interno domina e o externo obedece, ao passo que no homem não regenerado o homem externo domina e o interno aquiesce como se não existisse. O homem regenerado conhece — ou pode conhecer, se refletir — o que é o homem interno e o que é o homem externo, mas o homem não regenerado o ignora completamente, e não pode saber, ainda que refletisse, pois não sabe o que são o bem e o vero da fé oriunda da caridade. Por aí se pode ver a qualidade do regenerado e a qualidade do não regenerado, e que a diferença é como entre o verão e o inverno, e entre a luz e a escuridão. Por isso o regenerado é um homem vivo, mas o não regenerado é um homem morto.