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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Se há alguns que saibam o que é o homem interno e o que é o externo, são poucos. Acham que são um só e o mesmo, e isto principalmente porque creem fazer o bem e pensar o vero por si próprios. O proprium tem isso consigo. Mas o homem interno é tão distinto do interno como o céu o é da terra. Tanto os eruditos quanto os não eruditos, quando refletem, não têm outro conceito a respeito do homem interno senão que é um pensamento, porque está no interior; e, do homem externo, que é o corpo e o seu sensitivo e voluptuoso, porque está no exterior. Mas o pensamento que eles acreditam ser o homem interno não pertence ao interno. No homem interno há somente bens e veros que são do Senhor, e no homem interior foi implantada a consciência pelo Senhor. E mesmo os maus, até os piores, têm pensamento, e os que são desprovidos de consciência também têm pensamento; daí se vê que o pensamento do homem não pertence ao homem interno, mas ao externo. Que o corpo, com o seu sensitivo e voluptuoso, não seja o homem externo pode-se ver pelo fato de que os espíritos, que não têm corpo qual o que tinham quando viveram no mundo, têm igualmente um homem externo.
[2] Contudo, ninguém pode saber o que é o homem interno e o que é o externo a menos que saiba que em cada homem existe um celeste e espiritual que corresponde ao céu angélico, que há um racional que corresponde ao céu dos espíritos angélicos, e que há um sensual interior que corresponde ao céu dos espíritos. Com efeito, há três céus e outros tantos [desses graus] no homem; esses céus são distintíssimos entre si. Daí é que o homem que tem consciência, depois da morte, está primeiro no céu dos espíritos, em seguida é elevado pelo Senhor ao céu dos espíritos angélicos e, finalmente, ao céu angélico, o que nunca poderia ocorrer se não houvesse nele outros tantos [graus] de céu, aos quais e a cujos estados pudesse corresponder. Daí eu pude ver o que constitui o homem interno e o que constitui o externo. As coisas celestes e espirituais formam o homem interno; as racionais, o homem interior ou médio; e as sensuais — não do corpo, mas provenientes do corpo — formam o externo, e isto não somente no homem, mas também no espírito.
[3] Falando como com eruditos, esses três são como o fim, a causa e o efeito. É notório que não pode haver efeito algum sem que haja uma causa, e não pode haver causa alguma sem que haja um fim. O efeito, a causa e o fim são tão distintos entre si como o exterior, o interior e o íntimo. O homem propriamente sensual, isto é, o que pensa pelas coisas dos sentidos, é o homem externo; e o homem propriamente espiritual e celeste é o homem interno. Mas o homem racional é o médio, entre um e outro. Por este, ou pelo racional, se faz a comunicação do homem interno com o externo. Sei que poucos compreendem estas coisas, pelo fato de viverem nos externos e pensarem pelos externos. Daí é que alguns se fazem semelhantes aos brutos e creem que, morrendo quanto ao corpo, irão morrer completamente; mas, quando morrem, então é que começam pela primeira vez a viver. Então, na outra vida, os que são bons vivem primeiro uma vida sensual no mundo ou céu dos espíritos, em seguida, a vida interior sensual no céu dos espíritos angélicos, e, finalmente, a vida íntima sensual no céu angélico. Essa vida, ou a vida angélica, é a vida do homem interno, vida da qual nada se pode dizer que possa ser compreendido pelo homem.
[4] Os regenerados só podem saber que ela existe, se refletirem, pelo bem e vero e pela luta, pois é a vida do Senhor no homem, uma vez que o Senhor, pelo homem interno, opera o bem da caridade e o vero da fé no seu homem externo. O que daí vem à percepção em seu pensamento e sua afeição é um certo geral em que há coisas inumeráveis que vêm do homem interno, as quais o homem nunca percebe antes de vir ao céu angélico. A respeito da qualidade desse geral vide o que foi dito por experiência, no n. 545. Mas estas coisas que foram ditas a respeito do homem interno, como estão acima da compreensão de muitos, não são necessárias para a salvação. Basta que se saiba que o homem é interno e externo, e que se reconheça e creia que todo bem e vero procede do Senhor.

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