. Que ‘abençoou DEUS’ signifique a presença e a graça do Senhor, vê-se pela significação de ‘abençoar’. Abençoar, na Palavra, no sentido externo, significa enriquecer-se de todo bem terrestre e corpóreo, assim como explicam a Palavra todos os que se detêm no sentido externo, como os judeus outrora e hoje, e também os cristãos, principalmente neste tempo; por isso puseram e põem a bênção Divina nas riquezas, na abundância de todas as coisas e na sua glória. Todavia, ‘abençoar’, no sentido interno, significa enriquecer-se de todo bem espiritual e celeste, porque a bênção nunca é dada nem pode ser dada senão pelo Senhor. Por isso, ‘abençoar’ significa a presença e a graça do Senhor. A presença e a graça do Senhor têm isso consigo. Diz-se ‘presença’ porque o Senhor está presente na caridade, e aqui se trata agora do homem espiritual regenerado, que age pela caridade. O Senhor está presente em cada homem; contudo, quanto mais o homem se distancia da caridade, mais o Senhor está, por assim dizer, ausente, ou o Senhor está mais afastado. [2] A razão — que acredito ser ignorada até hoje — pela qual se diz ‘graça’ e não misericórdia é porque os homens celestes não dizem ‘graça’, mas ‘misericórdia’, enquanto os homens espirituais não dizem ‘misericórdia’, mas ‘graça’. Isto vem do fato de os celestes reconhecerem que o gênero humano não é senão imundície e, em si, excrementício e infernal, pelo que imploram a misericórdia do Senhor, pois a misericórdia se atribui aos que são tais. Já os espirituais o sabem, mas não reconhecem, porque se mantêm no proprium e o amam, razão pela qual dificilmente podem nomear a misericórdia, mas facilmente a graça. Isto procede da humilhação de uns e outros. Quanto mais alguém se ama e acha que pode fazer o bem por si e, assim, merecer a salvação, menos pode implorar a misericórdia do Senhor. Alguns [imploram] a graça porque é isto uma fórmula habitual, em que há pouco do Senhor e muito de si. Isto qualquer um pode examinar em si quando nomeia a graça do Senhor.