. Que o ‘legume’ signifique os mais vis dos prazeres, pode-se ver pelo que foi dito: são chamados ‘legume da erva’ porque são somente mundanos e corpóreos, ou externos, pois, como foi dito, as volúpias que estão nas coisas corpóreas ou extremas tiram sua origem dos prazeres interiores em ordem; os prazeres que são percebidos nas coisas corpóreas ou extremas são relativamente vis, pois todo prazer é tal que é mais vil na proporção em que vai para os externos, e mais feliz na proporção em que vai para os internos. Por isso, como foi dito, conforme são virados e tirados dos externos, mais amenos e felizes se tornam os prazeres, o que se pode ver muito bem pelo fato de que o prazer das volúpias do homem, quando vive no corpo, é relativamente vil em relação ao seu prazer após a vida do corpo, quando vem ao mundo dos espíritos, e, de fato, tão vil que os bons espíritos desdenham dos prazeres do corpo, e não querem voltar a eles ainda que se lhes dessem tudo o que há em todo o mundo. [2] O prazer desses espíritos se torna semelhantemente vil quando eles são elevados pelo Senhor ao céu dos espíritos angélicos, pois então os interiores se despem desses prazeres e se revestem de outros ainda mais interiores. Semelhantemente, para os espíritos angélicos torna-se vil o prazer que tiveram em seu céu, quando são levados pelo Senhor ao céu angélico, ou terceiro. Nesse céu, como as coisas internas são vivas e não há senão o amor mútuo, a felicidade é inefável. Sobre o prazer interior ou da felicidade vide acima o que foi dito por experiência (n. 545). [3] Por aí é evidente o que significa ‘como o legume da erva, dei-vos todo’. Como os ‘répteis’ significam tanto as volúpias do corpo quanto as volúpias das coisas dos sentidos, das quais se diz ‘legume da erva’, esse termo, na língua original, é um vocábulo que significa tanto o legume quanto o verde, ‘legume’ relativamente às volúpias das coisas voluntárias ou das afeições celestes, e ‘verde’ relativamente à volúpias intelectuais ou das afeições espirituais. Que o ‘legume da erva’ e o ‘verde da erva’ signifiquem as coisas vis, vê-se na Palavra, como em Isaías: “As águas de Ninrim serão desolações, porque secou-se a relva, consumiu-se a erva, não há verde” (15:6); no mesmo: “Os habitantes dela, com mão curta, ficaram consternados e tomados de vergonha; tornaram-se erva do campo e legume de relva, feno dos tetos” (Is. 37:27); ‘legume de relva’ está em lugar do que há de mais vil. Em Moisés: “A terra à qual virás para possuí-la não é como a terra do Egito, da qual saíste, onde plantas a tua semente e irrigas o teu pé, como o jardim de legume” (Dt. 11:10); onde o ‘jardim de legume’ está em lugar do que é vil. Em Davi: “Os maus, como a relva, de súbito são cortados, e como legume da erva serão consumidos” (Sl. 37:2), onde ‘relva e legume da erva’ estão em lugar do que é vilíssimo.