. Visto que ‘não comer a carne em sua alma, o seu sangue’ é não misturar as coisas profanas com as santas, vê-se então daí que as coisas santas não são misturadas com as profanas pelo fato de alguém comer sangue com a carne, como também o Senhor ensina claramente em Mateus: “Não é o que entra pela boca que torna o homem imundo, mas o que sai da boca, isto torna o homem imundo; ... pois as coisas que saem da boca saem do coração” (15:11, 17–20). Na Igreja Judaica, porém, isto foi proibido porque, como foi dito, ao se comer o sangue com a carne, uma profanação era representada no céu. Todas as coisas que se faziam nessa Igreja se convertiam no céu em correspondência representativa, e o sangue se convertia no santo celeste, enquanto a carne, fora dos sacrifícios, se convertia no profano, porque significava as cobiças, como foi mostrado, e comer ambos representava a mistura das coisas santas com as profanas, pelo que foi tão severamente proibido. Mas, depois do advento do Senhor, quando os rituais externos foram abolidos e, assim, as coisas representativas cessaram, então essas coisas não mais se convertiam no céu em correspondência representativa, pois desde quando o homem se tornou interno e foi instruído a respeito dos internos, os externos para ele nada são; ele então conhece o que é santo, a saber, a caridade e a fé daí. A partir desses é que os seus externos são considerados, a saber, o quanto da caridade e da fé no Senhor está nos externos. Por isso, após o advento do Senhor, o homem não é considerado no céu pelos externos, mas pelos internos. Quem o é pelos externos é porque tem simplicidade, e na simplicidade há inocência e caridade, que, sem que o homem o saiba, estão pelo Senhor nos externos ou no seu culto externo.