. Que a multiplicação seja tal qual a afeição, sirva como exemplo aquele que adota o princípio de que a fé, só, o salva, ou que não faz obra alguma de caridade, isto é, que não tem caridade alguma e, assim, separa da fé a caridade. Não somente por causa do princípio adotado desde a infância, mas, também porque pensa que, se alguém disser que as obras da caridade ou a caridade é o essencial da fé, e assim viver, esse não pode deixar de pôr mérito nas obras, o que, todavia é um falso. Assim ele rejeita a caridade e nada faz das obras de caridade, e mantém-se somente na ideia da fé, que é nula sem o seu essencial, que é a caridade. Esse, quando se confirma nesse princípio, nunca age pela afeição do bem, mas pela afeição do prazer de poder viver na permissão das cobiças. E, dentre os que são tais, aquele que confirma isso por muitas coisas, não age pela afeição do vero, mas por sua glória, para que daí seja visto como maior do que os outros, mais erudito e mais elevado, e seja assim elevado entre os honrados e ricos, por conseguinte, pelo prazer da afeição. Esse prazer faz com que se multipliquem as confirmações, porque, como foi dito, qual é a afeição, tal é a multiplicação. Em geral, quando o princípio é falso, dele não podem seguir senão falsos, pois todas as coisas se conformam ao princípio. De fato, o que sei pela experiência — da qual falarei em outro lugar pela Divina Misericórdia do Senhor — aqueles que se confirmam em tais princípios sobre a fé, só, e não estão em caridade alguma, não consideram e não veem, por assim dizer, todas as coisas que o Senhor falou tantas vezes a respeito do amor e da caridade, como em Mt. 3:8-9; 5:7, 43-48; 6:12, 15; 7:1-20; 9:13; 12:33; 13:8, 23; 18:21-23 e ao fim; 19:19; 21:34, 40-41, 43; 22:34-39; 24:12-13; Mc. 4:18-20; 11:13-14, 20; 12:28-35; Lc. 3:8-9; 6:27-39, 43-49; 7:47; 8:8, 14-15; 10:25-28; 12:58-59; 13:6-10; Jo. 3:19, 21; 5:42; 13:34-35; 14:14-15, 20-21, 23; 15:1-19; 21:15-17.