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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Este é o sinal da aliança’. Que isto signifique o indício da presença do Senhor na caridade, vê-se pela significação de ‘aliança e sinal da aliança’. Que a ‘aliança’ signifique a presença do Senhor na caridade, mostrou-se anteriormente, no cap. 6:18, e acima, neste capítulo, no vers. 9. Que a aliança seja a presença do Senhor no amor e na caridade, vê-se pela natureza da aliança. Toda aliança é por causa da conjunção, ou seja, que vivam mutuamente em amizade ou em amor. O casamento daí é o que se chama aliança. A conjunção do Senhor com o homem só existe no amor e na caridade, pois o Senhor é o Amor mesmo e a misericórdia; Ele quer salvar cada um e atraí-lo poderosamente ao céu, isto é, a Si. Assim, qualquer um pode saber e concluir que ninguém pode jamais ser conjunto ao Senhor senão por aquilo que é Ele mesmo, isto é, a não ser que se faça semelhante ou faça um com Ele, ou seja, que ame de volta ao Senhor e ame o próximo como a si mesmo. Somente por isto se faz a conjunção. Esta é a essência mesmíssima da aliança. Quando daí há a conjunção, segue-se então claramente que o Senhor está presente. De fato, a presença mesma do Senhor está em todo homem, mas ela é mais próxima e mais afastada, segundo o grau do amor e a distância do amor.
[2] Como a aliança é a conjunção do Senhor com o homem pelo amor, ou, o que é o mesmo, a presença do Senhor no homem no amor e na caridade, na Palavra a aliança mesma é chamada ‘aliança de paz’, pois a ‘paz’ significa o reino do Senhor, e o reino do Senhor consiste no amor mútuo, no qual, unicamente, há a paz. Como em Isaías:
“Os montes se retirarão, e as colinas serão removidas, e a Minha misericórdia não se retirará de ti, e Minha aliança de paz não será removida, disse JEHOVAH, o teu Misericordioso” (54:10);
onde a misericórdia, que pertence ao amor, é chamada ‘aliança de paz’. Em Ezequiel:
“Suscitarei sobre eles um só Pastor, o apascentá-los-á, o Meu servo Davi; Ele os apascentará, e Ele lhes será por pastor; ... e cortarei com eles uma aliança de paz” (34:23, 25);
onde por ‘Davi’ se entende claramente o Senhor. A Sua presença no homem regenerado é descrita como ‘apascentá-los-á’.
[3] No mesmo
“Meu servo Davi, rei sobre eles, e um só pastor haverá para todos eles; e firmarei com eles uma aliança de paz, uma aliança de eternidade haverá com eles; e os porei, e os farei multiplicar, e porei o Meu santuário no meio deles eternamente; e lhes serei por Deus, e eles Me serão por povo” (Ez. 37:24, 26, 27);
onde, semelhantemente, por ‘Davi’ se entende o Senhor; o amor se entende pelo ‘santuário no meio deles’; a presença e a conjunção do Senhor no amor se entendem por ‘lhes será por Deus, e eles Lhe serão por povo’, o que é chamado ‘aliança de paz’ e ‘aliança de eternidade’. Em Malaquias:
“Conhecereis que vos tenho enviado este preceito, para que Minha aliança esteja com Levi, disse JEHOVAH Zebaoth. Minha aliança com ele foi de vidas e de paz, e lhas dei em temor, e Me temerá” (2:4, 5);
‘Levi’, no sentido supremo, é o Senhor, e, daí, o homem que tem o amor e caridade; por isso a ‘aliança de vidas e de paz com Levi’ é no amor e na caridade.
[4] Em Moisés, onde se trata de Pinchas:
“Eis que Eu [sou] Quem lhe dá Minha aliança de paz, e será para ele e para a sua semente depois dele uma aliança de sacerdócio eterno” (Nm. 25:12, 13);
onde por ‘Pinchas’ não se entende Pinchas, mas o sacerdócio que era representado por ele, que significa o amor e as coisas que são do amor, como todo o sacerdócio daquela igreja. Qualquer um sabe que Pinchas não teve sacerdócio eterno. No mesmo:
“JEHOVAH teu Deus, Ele é Deus, Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia com os que O amam e com os que guardam os preceitos d’Ele à milésima geração” (Dt. 7:9, 12);
onde se vê claramente que a presença do Senhor no homem, no amor, é a ‘aliança’, pois se diz que é ‘com os que O amam e com os que guardam os preceitos’.
[5] Como a aliança é a conjunção do Senhor com o homem pelo amor, segue-se também que é por todas as coisas que são do amor, as quais são os veros da fé e se chamam preceitos, pois todos os preceitos, de fato, a Lei e os Profetas, estão fundamentados numa única lei: que amem ao Senhor sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos, como se vê pelas palavras do Senhor em Mateus 22:34–40 e Marcos 12:28–35. Por isso, também, as duas tábuas em que foram escritos os dez preceitos são chamadas ‘tábuas da aliança’. Como a aliança ou a conjunção é pelas leis ou preceitos do amor, também foi pelas leis da sociedade na Igreja Judaica transmitidas pelo Senhor, as quais se chamam ‘testemunhos’, como também pelos rituais da Igreja ordenados pelo Senhor, os quais se chamam ‘estatutos’. Todas essas coisas são chamadas ‘da aliança’, porque se referem ao amor e à caridade, conforme se lê a respeito do rei Josias:
“O rei se pôs sobre a coluna e firmou uma aliança perante JEHOVAH, para ir após JEHOVAH e para guardar os Seus preceitos, e os Seus testemunhos, e os Seus estatutos de todo coração, e de toda a alma, para estabelecer as palavras da aliança” (2Rs. 23:3).
[6] Por aí agora se vê o que é a aliança e que a aliança é interna, pois a conjunção do Senhor com o homem se faz pelos internos, nunca pelos externos separados dos internos. Os externos são somente tipos e representativos dos internos, como a ação do homem é um tipo representativo de seu pensamento e de sua vontade, e como a obra de caridade é um tipo representativo da caridade, que está interiormente no ânimo e na mente. Assim, todos os rituais da Igreja Judaica eram tipos representativos do Senhor, por conseguinte, do amor e da caridade, e tudo o que vem daí. Por isso é que a aliança e a conjunção se fazem pelos internos do homem; os externos são apenas sinais da aliança, como também são chamadas. Que a aliança ou conjunção se faça pelos internos, vê-se claramente, por exemplo, em Jeremias:
“Eis que vêm os dias, dito de JEHOVAH, e firmarei com a casa de Israel, e com a casa de Judá, uma aliança nova, não como a aliança que firmei com os seus pais; ... porque eles tornaram nula a Minha aliança; ... mas esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel depois destes dias: Porei a Minha lei no meio deles, e no coração deles a escreverei” (31:31–33);
onde se trata de uma nova igreja. Diz-se claramente que a aliança mesmíssima é pelos internos e, de fato, na consciência em que é inscrita a lei, que é toda do amor, como foi dito.
[7] Que os externos não sejam a aliança a menos que os internos lhes sejam adjuntos e, assim, pela união ajam como uma só e mesma causa, mas que sejam ‘sinais da aliança’, para que por eles, como por tipos representativos, se recorde do Senhor, vê-se pelo fato de o sabbath e a circuncisão serem chamados ‘sinais da aliança’. Que o sabbath seja assim chamado, vê-se em Moisés:
“Os filhos de Israel guardarão o sabbath, para cumprir o sabbath em suas gerações, aliança eterna; entre Mim e os filhos de Israel é um sinal eternamente” (Êx. 31:16, 17);
e que a circuncisão seja assim chamada, no mesmo:
“Esta é a Minha aliança, que guardareis entre Mim e entre vós, e entre a tua semente depois de ti: circuncidar-vos-eis todo macho; e circuncidareis a carne de vosso prepúcio, e será por sinal de aliança entre Mim e entre vós” (Gn. 17:10, 11).
Daí também o sangue é chamado ‘sangue da aliança’ (Êx. 24:7, 8).
[8] Principalmente os rituais externos foram chamados sinais da aliança para que por eles se lembrassem das coisas interiores, isto é, das coisas que eles significavam. Todos os rituais da Igreja Judaica não eram outra coisa, pelo que também eram chamados ‘sinais’, para ajudá-los a se lembrarem das coisas interiores, por exemplo, que atassem o preceito primário na mão e na testa, como em Moisés:
“Amarás JEHOVAH teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças; ... e atarás estas palavras por sinal em tua mão, e estarão na testa, entre os teus olhos” (Dt. 6:5, 8; 11:13, 18);
onde a ‘mão’ significa a vontade, porque é o poder, pois o poder pertence à vontade, e ‘testa, entre os olhos’ significa o entendimento, assim, um sinal para recordação do preceito primário, ou da lei num sumário, para que esteja continuamente na vontade e continuamente no pensamento, isto é, para ser a presença do Senhor e do amor em tudo da vontade e em tudo do pensamento. Tal é a presença do Senhor e do amor mútuo oriundo d’Ele nos anjos. Dessa presença contínua, sua qualidade, dir-se-á na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor. Semelhante ao que ocorre aqui, onde se diz que ‘este é o sinal da aliança, que Eu ponho entre Mim e entre vós: Meu arco pus na nuvem e será por sinal da aliança entre Mim e entre a terra’ significa não outro sinal a não ser o indício da presença do Senhor na caridade, assim, para recordação, no homem. Mas, o modo como o indício e a recordação vêm daí, ou do arco na nuvem, dir-se-á na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor.

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