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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Meu arco pus na nuvem’. Isto significa o estado do homem espiritual regenerado, que é como o arco-íris. Alguém pode se admirar de que, na Palavra, o ‘arco na nuvem’ ou o arco-íris seja tomado por sinal da aliança, quando o arco-íris não é outra coisa senão o que surge das modificações dos raios de luz pelo sol nas gotas de água da chuva, nem é outra coisa senão algo natural, não sendo como os outros sinais de aliança na igreja, dos quais se tratou logo acima. Mas, que o ‘arco na nuvem’ represente a regeneração e signifique o homem espiritual regenerado, isto não pode ser conhecido por ninguém senão aquele a quem foi dado ver e, daí, saber como a coisa se passa. Os anjos espirituais, que foram todos homens espirituais regenerados da igreja, quando se apresentam como tais na outra vida, aparece como se fosse um arco-íris ao redor da cabeça, mas os arco-íris que aparecem são inteiramente segundo o estado deles, pelo que também se conhece no céu e no mundo dos espíritos a qualidade deles. Que apareça uma espécie de arco-íris é porque as suas coisas naturais, em correspondência com as espirituais, apresentam tal aparência. É a modificação da luz espiritual vinda do Senhor, nas suas coisas naturais. São esses anjos que são chamados ‘regenerados pela água e pelo espírito’, enquanto os anjos celestes são os ‘regenerados pelo fogo’.
[2] Nas coisas naturais a coisa se passa assim: para que exista uma cor, deve haver algo de obscuro ou níveo, ou de negro e de branco, no qual, quando os raios de luz do sol incidem, de acordo com a temperatura variada do obscuro e do níveo, ou do negro e branco, da modificação dos raios de luz que influem surgem as cores, das quais algumas derivam, em maior ou menor grau, do obscuro e do níveo, e outras, em maior ou menor grau, do níveo ou branco, donde vem a diversidade delas. O mesmo se passa comparativamente em relação às coisas espirituais. Aí, o ‘obscuro’ é o proprium intelectual, ou o falso, e o ‘negro’ é o próprio voluntário do homem, ou o mal, que absorve e extingue os raios de luz. Já o ‘níveo e branco’ são o vero e o bem que o homem pensa que faz por si mesmo, que reflete e rejeita de si os raios de luz. Os raios de luz que influem [nas cores] e as modifica, por assim dizer, vêm do Senhor, como do Sol da sabedoria e da inteligência, pois os raios da luz espiritual não são outra coisa nem vêm de outra parte. Como as coisas naturais correspondem às espirituais, por isso é que ao redor do homem espiritual regenerado na outra vida isto se apresenta à vista, o que parece semelhante ao arco na nuvem, arco esse que é a representação das coisas espirituais em suas coisas naturais. No homem espiritual regenerado há o proprium intelectual no qual o Senhor insinua a inocência, a caridade e a misericórdia. De acordo com a recepção desses dons pelo homem aparece o seu arco-íris quando se mostra à vista, tanto mais belo quanto mais o proprium voluntário do homem for removido, subjugado e reduzido à obediência.
[3] Aos profetas, quando estavam numa visão de Deus, também apareceu um arco como que na nuvem, como em Ezequiel:
“Acima da expansão que [estava] sobre a cabeça dos querubins, uma semelhança de trono, como o aspecto de uma pedra de safira, e sobre a semelhança do trono um aspecto como de Homem, sobre ele, acima. E vi como que uma espécie de brasa ardente segundo o aspecto do fogo, dentro dela, ao redor, do aspecto de Seus lombos e acima; e do aspecto dos Seus lombos e abaixo, vi como que um aspecto de fogo cujo resplendor [estava] ao redor, como o aspecto do arco quando está na nuvem num dia de chuva; assim [era] o aspecto do esplendor ao redor. Este é o aspecto da semelhança da glória de JEHOVAH” (1:26–8).
Qualquer um pode ver que foi o Senhor que foi visto assim, e, então, por Ele foi representado o céu, pois Ele é o céu, isto é, Ele é tudo em todos do céu. Ele é o ‘Homem’ de que se trata aí, o ‘trono’ é o céu, a ‘brasa ardente segundo o aspecto de fogo dos lombos e acima’ é o amor celeste, o ‘esplendor de fogo ao redor, dos lombos e abaixo, como o arco na nuvem’ é o celeste espiritual. Assim o céu celeste, ou dos anjos celestes, foi representado dos lombos para cima, e o céu espiritual, ou dos anjos espirituais, dos lombos para baixo, porque as coisas que, no Máximo Homem, estão dos lombos até as plantas dos pés significam as coisas naturais. Daí também se vê que as coisas naturais do homem, assim iluminadas pela luz espiritual vinda do Senhor, aparecem como o ‘arco na nuvem’. Apareceu também a João, do que se lê no Apocalipse (4:2–3; 10:1).

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