. Que a ‘nuvem’ signifique a luz obscura em que o homem espiritual está em relação ao celeste, pode-se ver pelo que foi dito há pouco a respeito do arco. O arco ou a cor do arco só existia na nuvem. Como foi dito, esse obscuro, através do qual os raios do sol fulguram, é o que se converte em cores; assim, a cor é tal qual o obscuro que é tocado pelo fulgor dos raios. Dá-se de modo semelhante no homem espiritual; o obscuro nele, que aqui se chama ‘nuvem’, é o falso, que é o mesmo que seu proprium intelectual; quando nesse proprium são insinuadas pelo Senhor a inocência, a caridade e a misericórdia, então essa nuvem não aparece mais como falso, mas como uma aparência de vero unida ao vero procedente do Senhor, por conseguinte, como um arco colorido. Há certa modificação que não pode jamais ser descrita, e a menos que possa ser percebida pelo homem por meio de cores e de suas origens, não sei como pode ser exposta à sua compreensão. [2] Pode-se ver a natureza dessa nuvem no homem regenerado pelo estado dele antes da regeneração. O homem é regenerado pelas coisas que ele acredita serem veros da fé. Cada um acredita que seu dogma é verdadeiro e daí recebe a consciência; por isso, depois que recebe a consciência, agir contra as coisas que lhe foram impressas como sendo os veros da fé é, para ele, agir contra a consciência. Assim é cada um que é regenerado, pois muitos são regenerados pelo Senhor, qualquer que seja o dogma; e, quando são regenerados, então não recebem revelação imediata alguma senão as que lhes são insinuadas pela Palavra e pela pregação da Palavra. Como, porém, eles recebem a caridade, o Senhor, pela caridade, opera na nuvem deles. Daí surge uma luz como quando o sol perpassa a nuvem, que daí se torna mais lúcida e de cores variadas. Assim, também surge na nuvem uma semelhança de arco, e, quanto mais tênue for a nuvem, isto é, quanto mais ela consiste em veros da fé misturados, mais belo é o arco; mas, quanto mais densa for essa nuvem, isto é, quanto menos forem os veros da fé em que ela consiste, menos belo é o arco. A inocência acrescenta muito à beleza, vindo daí, por assim dizer, um vivo esplendor nas cores. [3] Todas as aparências de vero são as ‘nuvens’ em que o homem se acha quando está no sentido da letra da Palavra, pois na Palavra se fala segundo as aparências. Mas, quando o homem crê com simplicidade na Palavra, ainda que permaneça nas aparências, e tem caridade, essa nuvem é relativamente tênue. Nessa nuvem é formada pelo Senhor a consciência no homem que está dentro da igreja. Todas as ignorâncias do vero são também ‘nuvens’ em que o homem se acha quando não sabe o que é o vero da fé, em geral quando não sabe o que é a Palavra, e ainda mais quando não ouviu a respeito do Senhor. Nessa ‘nuvem’ é formada pelo Senhor a consciência no homem que está fora da igreja, pois na ignorância mesma pode haver a inocência e, assim, a caridade. Todas as falsidades também são ‘nuvens’, mas estas são nuvens tenebrosas, que estão naqueles que têm ou a consciência falsa, de que se tratou anteriormente, ou não têm consciência. Estas são, em geral, as qualidades das nuvens. No que concerne à quantidade, há no homem tantas nuvens e tão densas que, se ele o soubesse, ficaria admirado de que os raios da luz do Senhor pudessem atravessá-las e que o homem pudesse ser regenerado. O que acredita ter menos nuvens é, às vezes, o que mais tem, e o que acredita ter mais é o que tem menos. [4] Essas nuvens estão no homem espiritual, mas no homem celeste não há tantas, porque esse está no amor ao Senhor, que foi implantado na sua parte voluntária e, por isso, também não tem consciência como o homem espiritual, mas recebe do Senhor a percepção do bem e, daí, do vero. Quando o voluntário do homem é tal que pode receber os raios da chama celeste, então o seu intelectual é daí iluminado e, pelo amor, ele conhece e percebe todos os veros que são da fé. O seu voluntário é, então, como um pequeno sol cujos raios penetram em sua parte intelectual. Tal foi o homem da Antiquíssima Igreja. Quando, porém, o voluntário do homem tornou-se completamente corrompido e infernal, e, por isso, foi formada uma nova vontade, que é a consciência, em sua parte intelectual, quando aconteceu no homem na Antiga Igreja e acontece em todo homem regenerado da igreja espiritual, então a nuvem é espessa, pois ele deve aprender o que é o vero e o que é o bem, e não pode perceber se assim é. E, então, também influi continuamente o falso que é o obscuro da nuvem, de sua parte voluntária negra ou do inferno por meio dela. Esta é a razão pela qual a parte intelectual nunca pode ser iluminada no homem espiritual como foi no homem celeste. Daí é que a ‘nuvem’, aqui, significa a luz obscura em que o homem espiritual está em relação ao homem celeste.