. ‘E sucederá que, cobrindo-Me com uma nuvem sobre a terra’. Que isto signifique quando, por causa do proprium voluntário do homem, a fé da caridade não aparece, vê-se pelo que foi dito logo acima a respeito da ‘terra’ ou do proprium voluntário do homem, a saber, que é tal que derrama continuamente na parte intelectual do homem a obscuridade ou o falso, que é ‘cobrir com uma nuvem’. Toda falsidade vem daí, o que se pode ver claramente pelo fato de que os amores de si e do mundo, que pertencem à vontade do homem, não passam de ódios, pois quanto mais alguém ama a si mesmo, mais tem ódio ao próximo. Como esses amores são tão contrários ao amor celeste, é impossível que daí não influam continuamente coisas tais que são contrárias ao amor mútuo, coisas essas que, na parte intelectual do homem, são todas falsidades, donde vem o que é obscuro e tenebroso. O falso ‘cobre com uma nuvem’ o vero exatamente como uma nuvem escura cobre a luz do sol; e como o falso e o vero não podem estar juntos, assim como não o podem as trevas e a luz, daí se segue claramente que um se retira quando o outro vem; e como isto se faz por alternações, por isso se diz que ‘ao cobrir com nuvem a terra’, isto é, quando pelo proprium voluntário a fé da caridade não aparece, ou o vero e o bem daí, e ainda menos o bem e o vero daí.