Texto
. Que ‘bebeu vinho’ signifique que quis investigar as coisas que são da fé, vê-se pela significação de ‘vinho’. Como foi mostrado, a ‘vinha’ ou a ‘videira’ é a igreja espiritual, ou o homem da igreja espiritual; a ‘uva’, os ‘respigos’ e os ‘cachos’ são os seus frutos e significam a caridade e as coisas que pertencem à caridade. O ‘vinho’, porém, significa a fé daí e toda as coisas que pertencem à fé. Assim, ‘uva’ é o celeste dessa igreja, e o ‘vinho’ é o espiritual dessa igreja. Aquele, ou o celeste, como foi dito muitas vezes, pertence à vontade, e este, ou o espiritual, pertence ao entendimento. Que ‘bebeu do vinho’ signifique que quis investigar as coisas que são da fé e, de fato, por meio de raciocínios, vê-se do fato de que ‘ficou embriagado’, isto é, caiu em erros. Com efeito, o homem dessa igreja não teve percepção alguma, como teve o homem da Igreja Antiquíssima, mas, devia aprender o que são o bem e o vero pelos doutrinais da fé oriundos da percepção da Igreja Antiquíssima, coligidos e conservados, doutrinais esses que eram a Palavra da Igreja Antiga. Os doutrinais da fé, como a Palavra, sem a percepção, em muitas coisas eram tais que não podiam ser cridos, porque as coisas espirituais e celestes transcendem infinitamente a compreensão humana, assim, o raciocínio. Mas aquele que não quer crer alguma coisa antes que a compreenda, nunca pode crer, como se mostrou muitas vezes nos números 128 a 130, 195, 196, 215, 232 e 233.
[2] Que as ’uvas’, na Palavra, signifiquem a caridade e as coisas que são da caridade, e que o ‘vinho’ signifique a fé e, assim, as coisas que são da fé, pode-se ver pelas seguintes passagens, como Isaías:
“Meu dileto teve uma vinha num chifre do filho do óleo; ...esperou que desse uvas, mas deu [frutos] silvestres” (5:1–2, 4);
onde as ‘uvas’ estão em lugar da caridade e seus frutos. Em Jeremias:
“Reunindo os reunirei, dito de JEHOVAH; não há uvas na videira, e não há figos na figueira” (8:13);
a ‘videira’ está em lugar da igreja espiritual, as ‘uvas’, em lugar da caridade. Em Oseias:
“Como uvas no deserto achei Israel; como uma primícia na figueira, com seu começo, vi os vossos pais” (9:10);
‘Israel’ está em lugar da Igreja Antiga, a ‘uva’ em lugar da caridade de que foram dotados; no sentido oposto, quando Israel está em lugar dos filhos de Jacó. Em Miqueias:
“Não há cacho para comer; minha alma desejou a primícia; pereceu da terra o santo, e não há reto entre o homem” (7:1);
o ‘cacho’ está em lugar da caridade ou do que é santo, e a ‘primícia’ em lugar da fé, ou o que é reto.
[3] Em Isaías:
“Assim disse JEHOVAH: Como se acha mosto em um cacho e se diz: Não o estrague, porque há bênção nele” (65:8);
o ‘cacho’ está em lugar da caridade, o ‘mosto’ em lugar da caridade do bem e, daí, dos veros. Em Moisés:
“Lavou no vinho a vestimenta, e no sangue das uvas o seu manto [velamen]” (Gn. 49:11),
uma profecia a respeito do Senhor. O ‘vinho’ está em lugar do espiritual proveniente do celeste, o ‘sangue das uvas’ em lugar do celeste relativamente à igreja espiritual; assim, as ‘uvas’ estão em lugar da caridade mesma, o ‘vinho’ em lugar da fé mesma. Em João:
“O anjo disse: Lança a foice afiada e vindima os cachos da terra, porque as suas uvas amadureceram” (Ap. 14:18);
aí se trata dos últimos tempos, quando não há fé, isto é, quando não há caridade, pois não há outra fé não senão a da caridade, e é essencialmente a caridade mesma. Por isso, quando se diz que não há mais fé, como nos últimos tempos, entende-se que não há caridade.
[4] Como as ‘uvas’ significam a caridade, assim o ‘vinho’ significa a fé daí, pois o vinho vem das uvas, o que se pode ver pelas passagens citadas agora e anteriormente, onde se trata da vinha e da videira, como também pelas que se seguem. Em Isaías:
“Foi arrebatada a alegria, e a exultação do Carmelo, e não se canta nas vinhas nem se regozija; o vinhonos lagares não é pisado pelo que pisa; fiz cessar o hedad” (16:10);
em lugar da igreja espiritual que foi devastada, a qual é o ‘Carmelo’; o ‘não haver quem pisa o vinho nos lagares’ que não há mais quem esteja na fé. No mesmo:
“Serão queimados os habitantes da terra, e o homem deixado será pouco; pranteará o mosto, definhará a videira; não beberão vinho em cântico; amarga será a bebida forte para os que a beberem; há clamor nas ruas por causa do vinho” (Is. 24:6, 7, 9, 11),
a respeito da igreja espiritual devastada; aí, o ‘vinho’ está em lugar dos veros da fé, que são tidos como sem importância. Em Jeremias:
“Dirão às suas mães: Onde [estão] o grão e o vinho? Quando desfalecem como traspassados nas ruas da cidade” (Lm. 2:12),
‘onde [estão] o grão e o vinho’ significa onde estão o amor e a fé; as ‘ruas da cidade’ significam, aqui e em outras passagens na Palavra, as verdades; os ‘traspassados ali’ significa que se sabe o que são os veros da fé.
[5] Em Amós:
“Retirarei o cativeiro de Meu povo Israel, e edificarão as cidades desoladas, e habitarão, e plantarão vinhas e beberão o vinho delas” (Am. 9:14),
a respeito da igreja espiritual ou Israel, da qual se diz ‘plantar vinhas e beber vinho’ quando se torna tal que tem a fé oriunda da caridade. Em Sofonias:
“Edificarão casas, mas não habitarão, e plantarão vinhas, mas não beberão o vinho delas” (Sf. 1:13; Am. 5:11);
em sentido contrário, quando a igreja espiritual está devastada. Em Zacarias:
“Serão como o poderoso Efraim, e o coração deles se alegrará, como pelo vinho, e verão os seus filhos e se alegrarão” (Zc. 10:7);
aí se trata da casa de Judá, que é assim pelos bens e veros da fé. Em João:
Que não causassem dano ao óleo e ao vinho (Ap. 6:6);
em lugar de que não o fizessem ao celeste e espiritual, ou às coisas que pertencem ao amor e à fé.
[6] Como o ‘vinho’ significa a fé no Senhor, também na Igreja Judaica a fé era representada nos sacrifícios pela libação de vinho, a cujo respeito se trata em Nm. 15:2-15; 28:11-15, 18-31; 29:7-39; Lv. 23:12-13; Ex. 29:40. Por isso se diz assim em Oseias:
“A eira e o lagar não os apascentarão, e o mosto mentirá nela; não habitarão na terra de JEHOVAH, e Efraim voltará ao Egito, e na Assíria comerão o que é imundo; não farão a JEHOVAHlibação de vinho; não serão gratos a Ele” (9:2–4);
onde se trata de Israel ou igreja espiritual e daqueles ali que pervertem e contaminam as coisas santas e os veros da fé pelo fato de quererem investigá-los por meio de conhecimentos e raciocínios; o ‘Egito’ é o conhecimento, a ‘Assíria’ é o raciocínio e ‘Efraim” é aquele que raciocina.