. Foi-me mostrado, por certo influxo que não posso descrever, qual foi a linguagem deles quando viveram no mundo; não era articulada como a linguagem das palavras de nosso tempo, mas tácita, que se fazia não pela respiração externa, mas interna. Também me foi dado perceber qual foi a respiração interna deles: procedia do umbigo para o coração e, assim, pelos lábios, sem som, e não entrava no outro por via do ouvido externo, ressoando no que se chama tímpano auditivo, mas por certa vida interna dentro da boca, e, de fato, pelo que aí se chama hoje trompa de Eustáquio. E foi mostrado que por essa linguagem eles puderam exprimir muito mais plenamente os sentidos da mente e as ideias do pensamento do que jamais se poderia fazer pelos sons articulados ou por palavras sonoras, que são semelhantemente reguladas pela respiração, mas a externa, pois não há palavra alguma que não seja regulada pelas aplicações da respiração. Neles, porém, isto era muito mais perfeito, porque se fazia pela respiração interna que, por ser interior, é muito mais perfeita, e muito mais aplicável e mais conforme às ideias mesmas do pensamento. Além disso, [também se exprimiam] por leves movimentos dos lábios e correspondentes mudanças da face, porque, como eles eram homens celestes, tudo o que eles pensavam se manifestava por sua face e seus olhos, que variavam concordantemente. Eles nunca puderam aparentar um semblante que não fosse de acordo com o que pensavam. A simulação, e mais ainda, o dolo, eram para eles um crime enorme.