. Que por ‘Nimrod’ sejam significados os que fizeram externo o culto interno e que, assim, por Nimrod seja significado tal culto externo, pode-se ver pelas explicações que seguem. Inicialmente, deve-se dizer aqui o que se entende por fazer externo o culto interno. Foi dito e mostrado anteriormente que o culto interno, que vem do amor e da caridade, é o culto mesmo, e que o culto externo sem esse interno é um culto nulo. Ora, fazer externo o culto interno é fazer o culto externo essencial acima do interno, o que é o inverso do anterior, como dizer que o culto interno é nulo sem o externo, quando, todavia, a coisa é tal que é o culto externo que é nulo sem o interno. A religião daqueles que estão na fé separada da caridade é assim, a saber, que eles preferem as coisas que são da fé às que são da caridade, ou, as que são das cognições da fé às que são da vida, por conseguinte, preferem as formais às essenciais. Todo culto externo é o formal do culto interno, pois o interno é o essencial mesmo. Fazer o culto do formal sem o seu essencial é fazer externo o interno. Por exemplo: [dizer que], se alguém viver onde não há a igreja, não há pregação, não há sacramentos nem sacerdócio, esse não pode ser salvo ou ter culto algum, quando, todavia, esse pode, pelo interno, adorar o Senhor. Mas não se segue daí que não deva haver o externo. [2] Para que se veja mais claramente, seja também, por exemplo, pôr o essencial mesmo do culto no fato de frequentar a igreja, participar dos sacramentos, ouvir as pregações, orar, observar as datas festivas e muitas coisas que são externas e cerimoniais, e persuadir-se, falando de fé, de que todas essas coisas, que são os formais do culto, são suficientes. Mas os que fazem essencial o culto pelo amor e pela caridade, esses agem semelhantemente, a saber, frequentam as igrejas, participam dos sacramentos, ouvem as pregações, oram, observam as datas festivas e muitas outras coisas, e isto muito diligente e cuidadosamente, mas não põem nisso o essencial do culto. No interno do culto destes, como aí há o interno, há o que é santo e vivo, mas no daqueles de que se falou acima não há o que é santo e vivo, pois o essencial mesmo é o que santifica e vivifica o formal ou cerimonial, enquanto a fé separada da caridade não pode santificar e vivificar o culto, porque faltam a essência e a vida. Esse culto é chamado ‘Nimrod’, e é nascido das cognições que são ‘Cush’, e elas são da fé separada da caridade, fé essa que é ‘Cam’. De ‘Cam’, ou da fé separada, pelas cognições que pertencem à fé separada, nenhum outro culto pode nascer. São estas as coisas que são significadas por Nimrod.