ac 1188

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que por ‘Nínive’ sejam significados os falsos dos doutrinais, por ‘Rehoboth e Kalah’ também os mesmos, de outra origem, vê-se pela significação de ‘Nínive’ na Palavra, de que logo se tratará. Os falsos desses gêneros surgem de três origens: a primeira vem das falácias dos sentidos, da obscuridade do entendimento que não é iluminado e da ignorância; daí vem a falsidade que é ‘Nínive’. A segunda origem é da mesma causa, mas predominando a cobiça, seja de inovar, seja de ter preeminência; os falsos daí são ‘Rehoboth’. A terceira origem é da vontade, assim, das cobiças, pelo fato de não se querer reconhecer como vero outra coisa senão o que favorece as cobiças; os falsos daí são os que se chamam ‘Kalah’. Todos esses falsos existem por ‘Asshur’, ou os raciocínios a respeito dos veros e bens da fé.
[2] Que ‘Nínive’ signifique os falsos oriundos das falácias dos sentidos, da obscuridade do entendimento que não foi iluminado e da ignorância, vê-se no livro de Jonas, profeta que foi enviado a Nínive, cidade que foi perdoada porque eles eram tais, e vê-se a partir de cada coisa no livro de Jonas a respeito de Nínive, de que se tratará em outro lugar, pela Divina Misericórdia do Senhor. Ali há relatos históricos, mas, ainda assim, proféticos, que envolvem e representam tais arcanos, como todos os outros relatos históricos da Palavra.
[3] Semelhantemente, em Isaías, onde se trata do rei de Asshur, que
permaneceu em Nínive e, quando se curvou na casa de Nisroch, seu deus, foi traspassado à espada pelos filhos (Is. 37:37, 38).
Embora estes sejam relatos históricos, são, no entanto, proféticos, que envolvem e representam arcanos similares, e por ‘Nínive’ aí é significado o culto externo em que há falsos, que, por ser um culto idolátrico, ‘foi traspassado à espada pelos filhos’; os ‘filhos’ são os falsos, como se mostrou anteriormente; a ‘espada’, como em toda parte na Palavra, é a punição do falso.
[4] Também em Sofonias:
“JEHOVAH estenderá a Sua mão sobre o norte, e destruirá Asshur, e porá Nínive em desolação, uma sequidão como um deserto; e deitar-se-ão em seu meio os rebanhos; toda fera de sua nação, também o pelicano e o ouriço pernoitarão em suas romãzeiras; uma voz cantará na janela, vastação no limiar, porque o seu cedro desnudou” (2:13, 14);
aqui Nínive é descrita, mas em um estilo profético, e a falsidade mesma, que é significada por ‘Nínive’. Essa falsidade, por ser cultuada, é chamada ‘norte, fera da nação, pelicano e ouriço nas romãzeiras’ e é expressa por ‘uma voz que canta na janela e desnuda o cedro’, que é o vero intelectual. Todas essas expressões são significativas de tal falsidade.

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